Opinião
Dia do futuro - Editorial
Tendo passado o Dia das Crianças neste ano, e ainda sob o calor da alegria da data, estamos no melhor momento para dar seqüência às indispensáveis reflexões sobre a condição de vida de boa parte dos infantes deste nosso Brasil. A data em si pode ser vista e comentada de diversos ângulos, sendo o mais notável e elogiável a reafirmação da solidariedade humana, expressa em tocantes iniciativas individuais. Vale a pena destacar o emocionante gesto do aposentado Manoel Felipe da Silva, que há 26 anos, todo Dia da Criança, investe seus próprios recursos em centenas de brinquedos, e os distribui às crianças, que acorrem ao portão da casa desse benfeitor. Além dessa questão da solidariedade pessoal, várias responsabilidades públicas continuam a ser descumpridas. E, nesse ponto, as críticas devem ser manifestadas, sempre ? para que, talvez, no próximo 12 de outubro algo tenha sido feito. A educação continua a ser a maior das lembranças para esse dia. Não se pode falar nem em ?maior presente? posto ser esse um dever do Estado, uma obrigação de toda a sociedade. Educar é a questão. De nada valem as festividades e brincadeiras ofertadas nesse dia quando milhões de crianças continuam sendo espoliadas de suas infâncias e de seus futuros. Como tirar as crianças da rua ou da labuta imprópria sem oferecer-lhes abrigo (escolar) em tempo integral? Nenhuma bolsa-escola será capaz de comprar essa segurança. Quanto mais dinheiro o governo coloca em paliativos, mais crianças retornam às esquinas e aos locais de trabalho (como a palha do fumo). Que as crianças todas ? ou ao menos a grande maioria ? tenham esse Dia da Criança todos os dias: escola desde a manhã até à noite, com fardamento, alimentação, higiene pessoal, lazer e todos os demais direitos elementares.