Opinião
Novamente - Editorial
Mais uma vez, um movimento grevista alcança uma área essencial: a saúde. Pelo decidido anteontem, cerca de oito mil trabalhadores da rede estadual da saúde decidiram cruzar os braços, por tempo indeterminado, até que suas reivindicações tenham resposta razoável por parte do empregador, que vem a ser o Estado, por intermédio do Poder Executivo. Dos postos de líderes de empregados e empregadores são disparadas acusações de um para outro front. Certamente, ambos os lados têm suas razões. Não buscamos, aqui neste espaço, discutir as razões de um ou outro. Respeitamo-las. Ambos os segmentos esposam justificativas legítimas: sejam os salários aquém das necessidades mínimas de manutenção digna, seja a imperiosa necessidade de pagar dentro dos limites impostos pelo orçamento e pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Como não é estranho em casos desta natureza, bate-se a cara num impasse. As posições radicalizam-se, as negociações tumultuam-se, tornam-se tensas. E dessa barafunda toda, igualmente não se estranha um acordo surgir daí, passado algum tempo. Enquanto passa este tempo, só um grupo de pessoas sofre prejuízos irreparáveis: o público. Quem precisa do atendimento médico não pode esperar, não participa das pendengas entre empregado e empregador. Sofredores das filas diárias, quando há trabalho, são penitenciados dos dias de greve. Não é a primeira vez que funcionários da saúde vão à greve. Certamente não será esta a última vez que esses trabalhadores terão motivos para protestar contra salários baixos e novos motivos para greve tendem a surgir no horizonte alagoano e brasileiro. Esta é mais uma oportunidade de ser buscada outra forma de luta que não castigue, como sempre e mais uma vez, a principal vítima: o paciente, a pessoa usuária do sistema de saúde.