Opinião
Um destino - Editorial
Ontem, mais 11 nomes foram acrescentados à lista de deputados sob risco de cassação. Esses 11 e mais os outros três anteriormente remetidos à Comissão de Ética da Câmara formam um time condenado a perder. O destino de todos parece traçado previamente desde quando se testemunha o poder da onda de pressão gerada na opinião pública. Cassação parece ser a única resposta capaz de responder às cobranças da rouca voz das ruas. Na medida que cada um dos envolvidos tenha sua culpa comprovada, justa será a punição. Mas o destino de toda essa movimentação merece uma melhor atenção, uma observação mais acurada e menos desapaixonada. Qual mesmo é a motivação da onda de cobrança para que tudo não acabe em pizza? Deveria ser não só a punição dos envolvidos, mas ? além disso e concomitantemente ? o desmantelamento em regra de todo o esquema de corrupção denunciado. O esquema do mensalão, mote de todo esse movimento investigativo, está longe de ser completamente esclarecido e desbaratado. Até agora, as investigações têm se centrado na manifestação mais recente desse fenômeno corruptor. Até agora, tem sido vitorioso um esforço concentrado em limitar o inquérito sobre a compra de votos no governo Lula, ou ? sendo mais preciso ? no episódio no qual pode ser envolvido (e daí cassado) o deputado José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Mas e o resto da maracutaia? Há que se chegar às lentes dos investigadores momentos do nosso passado recente, da espantosa aprovação da reeleição de FHC, à pesquisa detalhada sobre as origens do Valerioduto ? que se remetem aos tucanos mineiros (por falar nisso, as CPIs se esqueceram do senador Eduardo Azeredo? E de seu tesoureiro na campanha do PSDB em Minas Gerais?). Qual será mesmo o destino dessa aspiração pela ética na política?