Opinião
Haja sofrimento - Editorial
Novamente, abordamos um tema recorrente: as greves e os direitos de grevistas e usuários. Tantas são as paralisações que esse mesmo assunto retorna à pauta com impertinente freqüência. Tanto retorna que muitas das vezes o público já não distingue entre uma greve e outra, nem quais categorias estão paradas e, muito menos, quais são as reivindicações causadoras da desdita. Em nossa edição de ontem, noticiamos ? com foto e chamada de primeira página ? o transtorno causado à população pela imobilização do trânsito no centro da cidade. Graças ao engarrafamento provocado pelos grevistas, uma verdadeira multidão, de um momento para o outro, se viu excluída do direito de usar os coletivos. E, certamente, matutando o porquê do sacrifício. Quem se deu ao trabalho de perguntar sobre a causa do incidente, certamente colheu informações imprecisas, pois só um detalhado trabalho de repórter poderia esclarecer qual categoria estava provocando a interrupção do trânsito, por que estava fazendo isso e quais eram as reivindicações inspiradoras do ato. Muitos dos que subiram ou desceram, anteontem (e ontem também, graças aos protestos dos ambulantes contra a prefeitura), a íngreme Ladeira dos Martírios só vieram a tomar conhecimento depois, pela imprensa, do porquê de seu esforço involuntário. Novamente, ações de grevistas causam prejuízos e transtornos a quem nada tem a ver com os motivos da greve, e muito menos têm quaisquer condições de dar respostas, diretas ou indiretas, aos grevistas. Na queda-de-braço entre governo e funcionários públicos (da Saúde, da Segurança...) só quem tem se prejudicado é o público, é o povo. Descer e subir ladeiras a pé é o menor dos sacrifícios. Sofrimento mesmo se dá quando o contribuinte precisa dos serviços paralisados e nada funciona.