Opinião
Desarmamento
| Ruyter Barcelos * O referendo sobre o desarmamento trouxe à discussão temas importantes como direitos e deveres. Os direitos são reclamados com vigor pelos favoráveis ao NÃO. Entretanto, muitos se esquecem dos deveres quando se trata de respeitar as leis como, por exemplo, no trânsito, ao dirigir em alta velocidade, ao transitar na contramão, ao desrespeitar a faixa do pedestre, ao dirigir embriagado, ao permitir que seu filho menor dirija. Há, também, aquele que dirigem com a mão na buzina e querem ter na outra mais uma arma. Há, ainda, a violência de muitos jovens despreparados que praticam artes marciais. Eles agridem com as mãos. Por outro lado, o cidadão não precisa de arma de fogo para se defender. O Estado tem a obrigação de defender o cidadão. A arma de fogo deve estar de posse de pessoas preparadas, treinadas, para usá-las e, nesse caso, devem ser aquelas previstas na Constituição Federal. Nesse ponto surge o papel do Estado. Em se tratando do Estado, é fato que possuímos uma Constituição Federal retalhada pelos poder político, a fim de atender interesses menores e momentâneos; temos uma carga tributária escorchante; os juros são proibitivos; a saúde pública é precária e cria cidadãos de diversas categorias sociais, quando se tem acesso a ela ou não, ou apenas se tem o direito de morrer nos corredores dos hospitais públicos; a educação não é de qualidade e ainda se confunde educar com inaugurar salas de aula; e a segurança pública é mínima. O Estado sucateou e desaparelhou os responsáveis por defendê-lo - as Forças Armadas e as forças policiais, prejudicando a segurança (externa e interna) e a guerra contra o crime organizado. O Estado não desarma o bandido, pois não quer enfrentar o ônus político de inocentes mortos que tal combate irá proporcionar. Além disso, a Justiça é lenta e ineficaz, o que a faz injusta. O Estado não atende aos interesses do cidadão e precisa ser reformado. O Brasil necessita fazer, urgentemente, a reengenharia do Estado. Com certeza, proibir o comércio de armas irá incrementar a atividade ilegal, abastecendo o tráfico de armas. Assim, há duas certezas: o referendo não resolverá o problema, e a arma do cidadão é o voto, mas para isso precisa de educação. O positivo é a elevação da consciência crítica. (*) É empresário.