Opinião
Gera��o da ins�nia
| Eduardo Bomfim * Li um artigo escrito por Noberto Keppe, cientista social e psicanalista austríaco, da universidade de Viena. Ele afirma que a humanidade vive um momento particularmente difícil porque o dinheiro tem sido considerado por muitos séculos, a maior riqueza que existe, o objetivo final da vida material, o sentido derradeiro da existência do ser humano. Mas, continua Keppe, essa idéia foi introduzida na cabeça das pessoas, passando a ser atualmente uma verdade absoluta, a negação dos valores humanos. As experiências libertárias que pensam um mundo melhor, mais humano e solidário, são propagadas como perigosas, combatidas e buscam isolá-las. Outra formulação me chamou à reflexão. Do pensamento de um dos gênios da época contemporânea, Karl Marx. Diz ele: ?Tudo que é sólido desmancha no ar?. E os homens são forçados a encarar com sentidos sóbrios as reais condições de suas vidas e as relações com os outros homens. Marx observa historicamente, o capitalismo, como um gigantesco progresso que impulsionou a sociedade em revoluções científicas, tecnológicas, massificando a produção de bens materiais a que só poucos tinham acesso. No entanto, o sentido desbravador, inventivo, contém dentro de si a contradição de gerar, através do lucro desenfreado, uma profunda acumulação de riqueza nas mãos de alguns raros, e a expansão da miséria, degradação para a humanidade. Não é fácil superar o capitalismo. As primeiras experiências por uma nova era, inviabilizaram-se, em sua maioria, ao adotarem modelos igualitários de sistemas de sociedade. Provocando o tédio e a ausência de incentivo nos indivíduos. Como também pela burocracia aferrada à perpetuação no poder, ao corporativismo. Sobreviveram regimes socialistas que evitaram esse modelo, transitando em largo período com o mercado, tendo como primazia o mais solidário, o socialista. A China, por exemplo, cresce à média de 13% ao ano, indicam os economistas. Será a maior potência econômica do planeta em vinte anos. Nesse intervalo, para novas utopias, surgiu como de um do pântano, a tendência ao pragmatismo, ceticismo, individualismo, ao presente imediato, juntando-se, talvez sem saber, à negação do humanismo. Fenômeno de uma época, sem sonhos visíveis para a humanidade. Novos tempos, porém, virão. Porque ?tudo que é sólido desmancha no ar?, porque há clamores dos povos por justiça, soberania. Porque o caos, a violência, evidencia a urgência de uma nova ordem social. (*) É advogado e secretário de Cultura do Estado de Alagoas.