Opinião
Sob bordoadas...
| Dom Edvaldo G. Amaral (*) No volume 14 da monumental biografia de dom Bosco, à pág. 148 lê-se uma declaração do santo que é de impressionante atualidade. Parece refletir os problemas que vem sofrendo ao longo de sua história de 13 anos a Casa que leva seu nome em Maceió e que nessa 4ª feira, 19 de outubro, fez aniversário. A frase de d. Bosco é: ?O Oratório de Valdocco (sua primeira casa de educação das milhares que hoje existem) nasceu e cresceu debaixo de bordoadas (?sotto le bastonate? no original) e continua a viver sempre sob bordoadas ainda hoje.? Isso, ele dizia em 1879, referindo-se às perseguições de autoridades escolares de Turim. Dom Bosco, com as bênçãos do arcebispo que o ordenara, mons. Fransoni, em 1841, começara pequeno trabalho em favor das crianças de rua da então capital do Reino do Piemonte. Perseguido pelos vizinhos, teve que mudar de sede várias vezes. Era considerado louco pelos padres do clero de Turim. Vigiado pela polícia, seus sermões eram considerados subversivos, dom Bosco acabava confessando os que iam vigiá-lo. foi invadida; o santo era considerado ?perigoso? agente de Pio IX contra a unificação da península. Quando ele disse a frase acima citada, o governo havia proibido o funcionamento de seu ginásio e queria obrigá-lo a mandar para a rua 300 meninos e jovens ginasianos que ele educava, com mais 500 aprendizes de artes e ofícios, que compunham naquele ano a população do Oratório de Valdocco. Sempre bordoadas... No final da vida (1888) contou com a admiração do governo laico e o apoio decisivo de seu último arcebispo, o cardeal Alimonda. Será mera coincidência? A Casa Dom Bosco de Maceió começou na Rua Santos Pacheco, perseguida pelos vizinhos, que me levaram como réu ao Tribunal das Pequenas Causas. Depois, na Rua Costa Leite, sofremos atroz perseguição de vizinhos, com honrosas exceções, como a de Ada Mello, nossa amiga e protetora. Aí contamos com o apoio do então prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa. E agora? Bem, agora em nossa sede, ampla e própria, no bairro Santa Amélia, temos excelentes vizinhas, que são as Irmãs Contemplativas do Bom Pastor. Mas, recentemente vieram as tradicionais bordoadas sob a forma de perseguição declarada dos defensores da criança e do adolescente, que invadiram a Casa Dom Bosco e fizeram inúmeras arbitrariedades, de que falei em artigo anterior. Continuam as bordoadas na obra de dom Bosco em favor das crianças pobres e abandonadas. (*) É presidente da Fundação João Paulo II de Maceió.