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O direito � d�vida

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| RONALD MENDONÇA * Amanhã, 23 de outubro, haverá o polêmico referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo no País. Devem escolher o ?Sim?, aqueles que concordam que o comércio oficial de armas de fogo e munições deve passar por uma modificação de tal ordem que, na prática, inviabilizaria a compra por via legal. Há uma vaga e vã esperança de que a paz finalmente voltará a reinar na Pátria mãe gentil. Se aprovada, essa restrição atingirá sobretudo o ?cidadão comum? (dispenso o ?cidadão de bem?), entendendo como tal aquele indivíduo que não fazendo parte de nenhuma casta especial, inclusive a de bandidos, teria a missão de burro de carga da sociedade, garantindo, através de pesados impostos, as sacanagens dos políticos, a ineficiência da polícia e a lentidão e ambigüidade da justiça, para dizer o mínimo. São ainda deveres do cidadão comum ajudar a manter o status que, fingindo-se de cego e idiota diante da imoral concentração de renda, além de dar platéia a picaretas travestidos de grandes líderes. Soa como delírio repetir que o apoio do governo ao ?Sim? guardaria uma maliciosa pretensão política de desarmar a população, seguindo uma velha tática nazista para tomada do poder. Também a minha ingenuidade não chega a ponto de desconhecer que a indústria de armas está por trás do ?Não?. É ponto pacífico que muitas famílias se enlutaram por conta da presença de um revólver ao alcance da mão. Nesse aspecto, a crônica policial é de arrepiar: descuidos, ?brincadeiras? e/ou paroxismos de agressividade ferindo crianças e adultos; suicídios, fratricídios, parricídios... No entanto, é bobagem acreditar que um sujeito fora de controle, na ausência de uma arma de fogo, não possa se utilizar de outros meios. De qualquer forma, continuo acreditando que há pessoas que não têm condição psíquica de possuir nem uma gilete. O que ninguém tem idéia é da quantidade de vezes em que sua casa deixou de ser invadida - ou um assalto pessoal não foi consumado - porque o marginal presumiu que você poderia estar armado. Dizem que bandidos, por não terem o que perder, enfrentam qualquer parada. Mentira. Bandidos borram-se de medo na hora H. Em geral, bandidos gostam de moleza, mulheres, velhos, pessoas desarmadas. São maus e covardes. Eles matam, mesmo que as pessoas não reajam. Assaltantes fogem de casas que têm cachorro, mas vão morrer de rir quando souberem que por lá não mais existem armas. (*) É médico e professor da Ufal.

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