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Opinião

A homenagem justa

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| Marcos Davi Melo * Quando meu pai comprou um terreno na Fernandes Lima nos anos 60 do século passado, os terrenos ali eram muito baratos e poucas eram as residências. Poucos, também, eram os estabelecimentos comerciais, restritos a algumas revendedoras de automóveis que ainda hoje lá estão. O Farol era então um interior. Muito mato, cassacos e passarinhos. Aos domingos, íamos para a Verdinha, de onde assistíamos o futebol no campo do Mutange. Quando o CSA estava ganhando, no finzinho do jogo, abriam-se os portões e a galera descia desembestada para ver os jogadores de perto. Pertinho morava o dr. Manoel Moura Rezende, já então um conceituado médico otorrino-oftalmologista; naquela época, os médicos exerciam as duas especialidades ao mesmo tempo. Fiquei amigo do seu filho Maneco, hoje também médico oftalmologista, e passei a freqüentar a sua residência, onde a personalidade amorável do dr. Moura agregava muita gente para confraternizar no pingue-pongue, na quadrilha do São João. Foi ele quem me levou para o deslumbramento do meu primeiro baile de carnaval na Fênix, uma daquelas memoráveis e insuperáveis matinais de carnaval de domingo. Ao voltar do trabalho à noite, mesmo cansado, ensinava os amigos do filho para o vestibular. Esta semana o dr. Moura Rezende foi um dos homenageados pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió pelo transcurso do Dia dos Médicos. Aos 88 anos, com os passos trôpegos, mas com a mente extraordinariamente lúcida relembrou episódios pitorescos quando atendia nas enfermarias de indigentes da Instituição, citou de memória versos de Guedes de Miranda; grato e saudoso homenageou os pais; a sua esposa, a carinhosa d. Marina, todos falecidos, mas muito presentes naquele momento. Foram homenageados ainda por completarem 70 anos dra. Eleusa Tenório, dra. Marlene Calado, dr. Zireli Valença, dr. João Maia Nobre, dr. Meroveu Costa e in memorian o dr. Mário Mafra. Esses médicos foram exemplares em dedicação aos seus pacientes, pois nunca distinguiram entre a minoria que podia pagar e a maioria de indigentes. Deram exemplos de ética e dignidade no exercício solidário da profissão. Dr. Humberto Gomes de Melo, que mesmo antes de ser o Provedor da Instituição já travava uma vigorosa cruzada para o acesso desses pacientes desafortunados a todos os cuidados médicos e hospitalares disponíveis, demonstra assim respeito à história e respalda que o crescimento da Instituição foi feito por pessoas como essas que dedicaram o melhor de suas vidas à causa da melhor medicina. (*) É médico.

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