Opinião
Pastoral da crian�a
| Dom José Carlos Melo, CM * Gostaria de destacar um trabalho social da nossa Igreja no Brasil que tem contribuído na preservação da vida e no desenvolvimento da sociedade. Trata-se da Pastoral da Criança, uma missão de fé e vida, voltada a Jesus como resposta ao seu pedido: ?Deixem as crianças vir a mim? (Lc 18.16). A pastoral da criança começou em 1982, numa reunião sobre a paz mundial, da ONU. O então diretor executivo do Unicef, sr, James Grant, convenceu o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, hoje emérito, de que a Igreja poderia ajudar a salvar a vida de muitas crianças que morriam de doenças facilmente preveníveis. Voltando ao Brasil dom Paulo lançou a idéia para sua irmã dra Zilda Arns e perguntou se ela aceitaria enfrentar o trabalho. Como resposta a esse grande projeto de Deus, a própria dra Zilda já afirmou: ?Como médica pediatra e sanitarista, sentia falta de trabalho de educação nas comunidades, com as famílias, especialmente as mães?. Dom Paulo se encarregou de apresentar em 1983 a CNBB, a proposta de como a Igreja poderia participar desta lusa para reduzir a mortalidade infantil. Foi indicado pela CNBB, na época, dom Geraldo Magella Agnelo para acompanhar esse trabalho. Naquele período era presidente da CNBB, dom Ivo Lorscheiter, tendo como secretário geral dom Luciano Mendes de Almeida. Dom Geraldo, atual arcebispo de Salvador era, então, arcebispo de Londrina e acompanhou a trabalho da pastoral da criança por oito anos, ajudando a abrir caminhos e superar dificuldades. Ao ser transferido para Roma, foi substituído por dom Alfredo Novak. Hoje assume essa missão de representante na CNBB, dom Aloysio José Leal Penna, arcebispo e Botucatu. A pastoral teve início no sul do País, precisamente em Florianópolis, que tinha um grande índice de mortalidade infantil. Em 1984, os primeiros frutos foram apresentados na Assembléia da CNBB, causando um grande interesse por parte dos bispos do Nordeste, chegando em Maceió e em seguida Bacabau no Estado do Maranhão, se entendendo por todas as dioceses do Nordeste. Esse trabalho fantástico há 17 anos tem um papel relevante em nosso Brasil. Hoje, milhares de pessoas, em sua maioria mulheres, formam as equipes de coordenação dos estados, Dioceses, áreas e Paróquias, mudando a fisionomia do nosso País. A missão da pastoral da criança é a própria missão de Jesus, que é também a missão da Igreja e de todos os cristãos: ?evangelizar?. Por esse motivo, a pastoral da criança é ecumênica e não faz nenhum tipo de discriminação de cor, raça, credo religioso ou opção política. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.