Opinião
De quem � a responsabilidade?
| Anilda Leão * O mundo inteiro, e não apenas os países do chamado ?3º mundo?, anda abarrotado de miseráveis, de marginalizados pelos processos políticos e econômicos, vítimas da chamada globalização, tão exaltada, entre nós, pelos defensores da entrega das nossas riquezas ao estrangeiro. Inclusive os Estados Unidos, desnudados, em sua hipócrita era ?buschiana?, pelos estragos causados pelo furacão Katrina em Nova Orleans. Pois a pobreza não é, como muitos imaginavam, privilégio dos países subdesenvolvidos. A diferença é que nos países ricos, como os Estados Unidos e muitos países europeus, a ostentação da riqueza acoberta e dissimula a real situação de grande parte de sua população mais fragilizada economicamente. E está também no fato de que, pelo menos na maioria dos países europeus, o estado ainda se faz presente fortemente nas ações de saúde, educação e bem-estar social. O que minimiza os efeitos da pobreza naquelas bandas de lá. Aqui, não. Basta que se ande pelo nosso comércio, ou que se pare em algum semáforo, para que uma verdadeira procissão de desvalidos desfile a nossa frente, estendendo-nos as mãos. E quantas vezes viramos o rosto, indiferentes, imaginando que não temos nada a ver com aquilo? Aqui não temos como disfarçar nossa miséria: ela está aí, sob as marquises das lojas de ?griffe?, nos pontos de ônibus, nos sinais de trânsito, abordando os carrões importados das madames. Algum escritor, não recordo quem, disse que ?Os homens não são homens e sim um pesadelo de Deus?. Vamos culpar a Deus por esse estado de coisas, ou responsabilizar a quem de direito, homens e mulheres que esbanjam o dinheiro da Nação em suas maracutaias sem fim? Até quando a mídia vai denunciar, sem que se tome medidas mais drásticas e eficazes para estancar esse sangramento contínuo dos recursos públicos em favor de poucos bolsos criminosamente privilegiados? E então vemos agigantar-se a onda de crimes, de assaltos, e a ousadia dos bandidos, que encontram na juventude desassistida das periferias dos centros urbanos a parceria perfeita para os seus intentos malignos. E aí agente se pergunta: De quem é a responsabilidade maior pelo caos que vivemos, dos esfomeados que não usufruem do mínimo necessário para uma vida digna, ou daqueles que esbanjam fortunas, que saqueiam o erário público impunemente, abandonando a nossa gente à própria sorte? (*) É escritora.