Opinião
A mesada dos filhos
| José Medeiros * Parece, à primeira vista, que o assunto mesada, dada aos filhos em idade escolar, na adolescência ou na juventude, não tem significado maior de que a ajuda de pai e mãe para o filho e filha, de avô e avó para o neto ou neta. Uma simples obrigação de apoio financeiro. Acontece que o tempo da mesada se torna cada vez mais amplo. Há muitos jovens, desempregados, que continuam a depender dos pais. Concluem o ensino médio ou superior e continuam em casa, sem emprego, na busca frenética por uma oportunidade que lhes permita entrar no mercado de trabalho e subsistir. As angústias dos vestibulares, das provas e conclusões de curso, são bem menores do que as ansiedades de pós-formatura. Sendo a educação uma obra sempre inacabada, uma evolução sem limites, uma finalidade nunca inteiramente alcançada, é natural que os jovens desejem que sua formação profissional se consolide numa emancipação financeira. Estive, no Rio de Janeiro, recentemente, para assistir à formatura de um sobrinho, que concluía um curso na área musical. Curso de Produção Fonográfica, uma coisa recente. Gosto muito de música. Entretanto, imaginei que ia lhe dar um conselho para que fizesse uma reopção profissional para escolha de outra área de habilitação profissional. Ledo engano. O paraninfo da turma já havia escolhido seis dos concluintes para trabalhar em sua empresa, por sinal uma das maiores no ramo. Ele foi o primeiro escolhido. Escolher a profissão é um desafio para os jovens. Devem analisar bem quais as profissões de futuro (resultados próximos) e as do futuro (dez anos depois), num mercado bastante oscilante. O homem, pode, à proporção do que sabe, é o que se diz. Vive-se o século da ?meritocracia? das oportunidades, é o que se fala. Todavia, nem sempre aparecem oportunidades de trabalho após a formatura. Nos concursos, há centenas de vagas para cada candidato, e, se vale o conhecimento, de igual forma, vale a capacidade de controlar o estresse durante os exames. Desemprego é a maior preocupação revelada pelos jovens. Há, em cada família, um certo número de pessoas desempregadas. O tempo de permanência na casa dos pais vem aumentando sempre; muitos, após os 25 anos de idade, continuam a receber mesadas que lhes assegurem o necessário para sua subsistência. As oportunidades educacionais aumentam sempre com a abertura de novas escolas superiores. Porém, o mercado de trabalho não acompanha essa evolução. A ?mesada? tornou-se instituição obrigatória. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.