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Negra Rosa - Editorial

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Grandes estrelas da política sempre agitaram multidões, vinculando seus nomes a momentos históricos e atraindo multidões de admiradores e de opositores. Adorados ou denegridos, os gigantes da história definitivamente tornam-se referências públicas. E quase sempre os livros, museus, centros de pesquisa deixam de lado pessoas simples ? mas cujos posicionamentos, em determinados momentos, fizeram descortinar novos tempos para a humanidade. O que hoje chamamos de cidadania muito deve a uma senhora que morreu, quase no esquecimento público, há dois dias, nos Estados Unidos. Quantas pessoas já ouviram falar de Rosa Parks? Negra, costureira, Rosa Parks tinha 42 anos quando, há 50 anos, ao recusar ceder seu lugar num ônibus, fez os Estados Unidos levantarem-se de sua retrógrada e preconceituosa posição de nação racista. Era o dia primeiro de dezembro do 1955, na cidade de Montgomery, estado do Alabama, e a pacata Rosa negra estava sentada num coletivo quando um homem branco ordenou que ela se levantasse para ceder seu lugar a ele. O homem branco estava cobrando um direito seu, assegurado por lei racista que obrigava aos negros cederem seus lugares nos coletivos quando uma pessoa de cor branca assim solicitasse. Rosa Parks negou-se a ceder o lugar. Foi presa e multada em 14 dólares. E seu ato levantou multidões em todo território americano ? num movimento liderado por um até então desconhecido pastor negro, chamado Martin Luther King Jr. O transporte coletivo foi boicotado por exatos 381 dias e marcou o início da moderna luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos. A lei de restrições raciais caiu. Antes de ontem, aos 92 anos, Rosa Parks morreu. Em paz. Que viva sempre seu exemplo de coragem, lição de protesto não-violento que deveria orientar a luta pela cidadania no mundo de hoje.

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