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Opinião

O taxista

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| Luiz Barroso Filho * Todo anúncio de majoração de preços de produtos e serviços provoca a reação imediata da população que termina sendo obrigada ao pagamento de reajustes, geralmente, exorbitantes e imotivados. Contrariando essa assertiva, os aumentos de 50% no valor da bandeirada e de 30% no quilômetro rodado concedidos aos taxistas de Maceió podem ser justificados pelos repetidos reajustes dos preços dos combustíveis, da manutenção dos veículos e de outros encargos verificados nos últimos 9 anos, período em que a tarifa do táxi não sofreu nenhuma mudança. Ocorre que o usuário comum que antes pagava, por exemplo, R$ 10 por uma corrida de 8 quilômetros e agora paga o correspondente a R$ 13,40 para fazer o mesmo percurso, inicialmente, deverá reduzir o número de viagens, pois sentirá o peso da diferença de preço no seu orçamento. Essa diferença que teoricamente concorre para a queda do movimento da praça é motivo de queixa por parte do taxista, que, para poder cobrar a nova tarifa, terá de arcar com despesas para fazer a aferição do taxímetro, o que repercute na sua féria. Além disso, a maioria dos motoristas enfrenta a concorrência das empresas que dispõem de serviço de radiotáxi e oferecem abatimentos de até 40%, no valor das corridas. A esse respeito, os profissionais que não integram o sistema de radiotáxi entendem que o desconto concedido pelos colegas é um procedimento desleal, porque não permite a todos as mesmas condições de trabalho. Por isso, acham que o aumento da tarifa não importa em benefício para a categoria. Por outro lado, aparentemente favorecidos com a procura maior de passageiros, por causa do desconto, taxistas vinculados ao sistema de rádio costumam afirmar que para obter um rendimento mais avultado é preciso ?rodar? muito, o que às vezes não compensa, em virtude do desgaste do carro e da saúde, principalmente. Situação mais delicada é a dos motoristas que não possuem veículo próprio e trabalham mediante o pagamento de diária, que nem sempre é apurada para honrar o compromisso com o dono do táxi. Como se vê, na luta pela sobrevivência, as dificuldades defrontadas pelos ?heróis da bandeira dois? não se restringem apenas ao risco de assaltos e ao trânsito caótico da cidade. Mesmo assim, o taxista presta um bom serviço à população, e, apesar de a frota de táxi que circula em Maceió ainda apresentar alguns veículos em precário estado de conservação, atende às necessidades dos usuários. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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