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Opinião

A nova epidemia

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| EDUARDO BOMFIM * Quem sou eu para opinar sobre a tal da gripe aviária, propagada como o mais recente perigo para a humanidade. Temo, inclusive, pelo seu poder letal. Mas peço licença para relembrar outras questões banalizadas por tantas informações, massificadas cotidianamente na mídia. A questão nacional reassumiu uma crucial dimensão em todos os cantos do planeta. Bem ao contrário do que tentou provar, inutilmente, o escriba Francis Fukuiama, do Departamento de Estado dos EUA. Após a desintegração da extinta URSS e o advento das revoluções científicas e tecnológicas, o mundo teria ficado pequeno, as distâncias encurtaram, as comunicações entre as pessoas passaram a ser instantâneas e a humanidade entrava em uma nova era de paz e concórdia, dizia ele. Não foi assim o que aconteceu. Nações desapareceram, dando lugar a terríveis confrontos étnicos. O historiador Eric Hobsbawn em um de seus livros disse que desde o seu nascimento até os dias atuais, o mapa da Europa modificou-se de tal forma, em duas guerras mundiais e outras regionais, que ele teria pertencido a quatro nações, com seus conseqüentes passaportes. Os povos estão mais ameaçados em suas soberanias como nunca. Há a hegemonia de um grande império, senhor de todas as guerras, direta ou indiretamente. Invade países, fabrica constituições, nomeia presidentes. As revoluções nas ciências e tecnologias ampliaram o poder das armas e a rápida, permanente, circulação do capital nômade, parasitário. Esse não é aplicado na produção ou em infra-estrutura para a melhoria da vida das populações dos países. Aprofundou-se a distância entre um grupo seleto de nações ricas e o resto do mundo. A epidemia mais tenebrosa, matando milhões em todos os continentes, não é a AIDS ou outra qualquer que se dissemina nas cidades sem tratamento de água, com esgoto a céu aberto. Ou a midiática e temível gripe aviária. Mas uma antiga pandemia. A fome. Aumentaram brutalmente a miséria, o desemprego, a violência marginal e o caos social. Gerando ameaça de desestabilização em países. Assiste-se a uma nova recolonização mundial. Os trabalhadores isolados estão destinados à derrota. Dispersos em lutas sindicais, não ultrapassam o objetivo corporativo porque a consciência social transformadora não surge de forma espontânea. Cabe a união de amplas forças nacionais pela resistência contra a nova etapa de colonização das nações. (*) É advogado e secretário de Estado de Cultura.

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