loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Nossas manh�s

Ouvir
Compartilhar

| Marcos Davi Melo * Aquele próspero homem depois de muitos anos afastado, vitorioso voltava para visitar a sua terra natal, Glória de Goitá, interior paupérrimo de Pernambuco. Viajava com a família em seu confortável Opala zero quilômetro parou e desceu em um casebre na beira da estrada. O humilde e andrajoso homem que lavrava a terra seca e esturricada aproximou-se para averiguar o que um cidadão tão abastado poderia querer naquele fim de mundo. Quando se aproximaram, ambos passaram algum tempo se estranhando, de repente, abraçam-se em prantos; embora com situações sociais tão diferentes, ambos tinham sido na infância fraternos companheiros do mesmo infortúnio da pobreza. Essa é uma das lembranças mais marcantes de Dinho sobre a sua adolescência junto ao pai, o radialista Edécio Lopes que esta semana fez 40 anos do programa Manhãs brasileiras. Foi mais ou menos nesse tempo que esse notável homem de rádio, ocupando as melhores horas e programações da Rádio Gazeta de Alagoas, tinha como hábito a visita a um asilo de senhoras idosas muito pobres, motivo de freqüentes alocuções em seus programas pelo rádio. Curiosamente, uma das senhoras mais idosas e eloqüentes ali abrigadas, intitulava-se noiva do senador Arnom de Mello. Gabola, todas as vezes que o Edécio visitava o asilo ela perguntava pelo noivo, se ele estava bem, se tinha saudades dela, se lhe mostrava os retratos de seus tempos de noivado, enfim uma série de situações que a sua mente fantasiosa criara e que lhe alimentavam a solitária vida. Certo dia, em sua visita costumeira ao asilo, Edécio soube que ela estava muito doente. Ao visitá-la no leito terminal ela fez-lhe o último pedido: queria ver o noivo antes de morrer. No outro dia, o senador Arnom de Mello, que nunca a vira antes, levou-lhe um buquê de flores, os ?noivos? abraçaram-se carinhosamente no leito de morte e depois a senhora partiu deixando um sorriso primaveril. Já era ouvinte assíduo de seus programas quando o conheci pessoalmente há uns 25 anos. Foi quem primeiro me abriu as portas da rádio para falar dos males do cigarro e da prevenção do câncer. Sempre o admirei por sua origem humilde e sua luta para vencer na vida honestamente, seu apego às coisas brasileiras e nordestinas, sua paixão por Alagoas, defendendo-a mais do que muitos filhos da terra, mas, sobretudo a sua capacidade de ainda se indignar com as mazelas do dia-a-dia, de se emocionar com as coisas mais simples, de ser um ser humano tão sincero, tão sensível e por isso mesmo tão apreciado e respeitado. (*) É médico.

Relacionadas