Opinião
Perdendo o para�so - Editorial
Numa das mais concorridas palestras durante a Bienal do Livro de Alagoas, o escritor gaúcho Moacyr Scliar iniciou sua fala sobre ?Os bastidores da produção literária? com uma entusiasmada elegia a Maceió, saudada como uma das mais belas cidades do Brasil. E sublinhou o homem de letras: ?Vocês vivem num paraíso. Talvez não saibam?. Falava Scliar acerca das belezas naturais de Maceió. E acentuava ele a cor do mar, as enseadas, as lagoas, o sol, a brisa, e outras tantas qualidades da capital alagoana. Poucos dias depois desse entusiástico testemunho, a Fundação Getúlio Vargas divulgava um estudo no qual Maceió amargava uma das piores colocações no ranking entre as capitais brasileiras no tocante a qualidade de vida. Pela pesquisa da FGV, entre as 27 capitais, Maceió está na 21ª colocação. Os resultados são colhidos tendo como base a percepção dos próprios moradores sobre a qualidade de vida usufruída em cada cidade. E o nosso paraíso, onde está? Será que os moradores de Maceió desdenham o paraíso onde vivem? Ou, sabedores do paraíso perdido (ou em perdição), capricham na pontuação negativa quando fazem o balanço das condições de vida urbana nessa bela cidade? Mas não é necessária nenhuma pesquisa para visualizar algumas das razões pelas quais é aviltada a qualidade de vida em Maceió. Muitas de responsabilidade da prefeitura, outras tantas do governo estadual, várias na alçada da iniciativa privada... Tantas são as responsabilidades que de nada vai adiantar a tentativa de um acusar o outro. Todos somos responsáveis, mesmo que em proporção variada (até o simples cidadão, ou cidadã, que teima em jogar lixo na rua). Precisamos parar de desperdiçar esse fantástico paraíso que é Maceió. Enquanto é tempo.