Opinião
Seguran�a e vida
| Milton Henio * O Brasil votou ?não? com esmagadora maioria. Isso porque todo ser humano sente necessidade de segurança, e o povo brasileiro não sente proteção suficiente vinda do governo. E achou que desarmado perde a sua tranqüilidade, uma vez que estamos expostos aos bandidos mais facilmente. Essa foi, com absoluta certeza, a lógica que fez o brasileiro, mesmo contrariado, votar o ?não?. É que o Brasil é um País desorganizado onde as leis não são cumpridas e cada um tem que ter a sua segurança pessoal. Muitos psicólogos e psicanalistas assinalam que a segurança representa uma das principais necessidades psicológica do homem. É importante para todas e preponderante para muitos. Se algumas pessoas ainda são capazes de viver felizes com incertezas, outras não a podem suportar. Nos dias atuais, em que a violência impera em todas as cidades, em que os próprios agentes da lei são responsáveis muitas vezes pela desordem, essa segurança extrínseca torna-se cada vez mais problemática. Por esse motivo, o homem deve procurar em primeiro lugar o autodomínio para poder viver o seu dia-a-dia. Sua melhor segurança ainda é a sua coragem, sua auto-estima, suas aptidões para enfrentar quaisquer dificuldades. O fato é que é preciso usar métodos que diminuam essa violência insuportável em que o ?homem é o lobo do próprio homem?. As loucuras não param: seqüestros, assaltos, conflitos dos sem-terra, lutas religiosas, assassinatos. A impressão que nos dá é que o homem enlouqueceu. Os pais se preocupam com os filhos adolescentes quando vão às festas, os idosos deixam de sair à noite, as mulheres sentem-se inseguras quando saem de sua faculdade. O fato é que o povo brasileiro passou a viver com medo, a olhar para os lados quando param o seu carro, a usar cerca elétrica, a não poder ficar dentro do carro ouvindo sua música enquanto espera o filho saindo do colégio. Temos que ter paciência e equilíbrio emocional para viver nos dias que correm. Mas a história tem tempos diferentes dos nossos, e é preciso entrar no jogo com extrema paciência. Para não ficarmos com fobia de ladrões, de assaltantes, de seqüestradores, temos que ter a atitude inteligente e predestinada de saber esperar, de ter paciência. E quando falamos em paciência estamos nos referindo a uma espera alimentada pela convicção de que o ?futuro é sempre melhor do que qualquer passado?, conforme disse Teilhand de Chardin. O Brasil votou ?não? porque não confia na segurança que o governo lhe oferece. (*) É médico ([email protected]).