Opinião
O marco onde ele marca
| Márcio Lanzuerksy * Foi inaugurada, na última terça-feira dia 18, em solenidade realizada no acesso a Palmeira dos Índios, a restauração do trecho, de aproximadamente 36 km, da rodovia BR-316, ligando essa cidade ao entroncamento da AL-110; até agora, o mais antigo trecho rodoviário em operação no País, sem qualquer alteração em seu pavimento. Esperada desde 8 de maio de 2001, quando foi licitada, só no atual governo foi iniciada e concluída. Pavimentada numa época em que a nossa Petrobras ainda não produzia asfalto a então AL/BR-26 foi construída com produto importado e de há muito precisava de serviços de restaurações e melhoramentos para poder desempenhar seu papel na operação de transportes de pessoas e bens. Por ocasião dessa inauguração, o ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, para alegria de todos Alagoanos, assinou a Ordem de Serviço para a continuidade dos trabalhos nos trechos que farão a rodovia voltar as suas condições de conforto e segurança para os usuários. Assistindo aos atos, relembrei o espetáculo inesquecível da manhã do dia 29 de janeiro de 1956, quando da inauguração dos primeiros 140 km da então mais moderna rodovia de Alagoas, orgulho do nosso Governador que nos dava a quarta colocação em matéria de pavimentação no Brasil, promovendo a integração de nosso Estado. Com saudade e com tristeza transportei-me àquela manhã ensolarada. Com saudade pela ausência de companheiros daquela festa; Com tristeza porque constatei a impossibilidade de comemorar, no mesmo sítio de sua inauguração, no próximo 29 de janeiro, o cinqüentenário da primeira rodovia alagoana, modernamente pavimentada e marco da nascente moderna engenharia rodoviária brasileira; Com tristeza porque constatei, longe do local de sua implantação, o marco que me acostumei mostrar a colegas dizendo: ?Neste local foi inaugurada esta rodovia e eu estava aqui?. Ali, onde se registrou o início de nova era para nosso Estado. Onde se poderiam construir jardins, belvederes, áreas de estacionamento, museu e onde seria possível conferir dados históricos registrados no bronze da placa comemorativa. Onde existiu marco de granito, para assinalar o acontecimento, no km 176, município de Belém, não existe mais nada. Um monumento relembra aos sobreviventes e informa e aos pósteros. É edificado para todo o sempre. Deve ser preservado e mantido onde foi implantado, pois o local também é parte da história. (*) É engenheiro civil.