Opinião
Inseguran�a total - Editorial
Segurança máxima é um termo que tem caído muito de conceito nos últimos tempos. Concebido para adjetivar determinados tipos de presídios, o termo deveria identificar prisões nas quais estaria sendo exercido um impecável sistema de segurança. Seriam prisões das quais não se poderia sair sem a devida permissão judicial e nas quais não poderia entrar nada indevido. Dos ditos ?Presídios de Segurança Máxima? têm surgido, com espantosa freqüência, as mais assustadoras notícias. Fugas passaram a ser fato corriqueiro, e agora se percebe o livre trânsito de armas de fogo entre os detentos desses estabelecimentos. Assassinato entre detentos nunca foi novidade. E não é difícil entender a razão dessas violências, afinal o que são presídios senão agrupamentos de seres marcados pela violência, viventes do banditismo. Há muito se definiu tais locais como ?universidades do crime?. Mesmo nos presídios de mínima segurança, as pessoas lá trancadas viram artesãos de instrumentos de morte, armas toscas confeccionadas com o que lhes sobra à mão. Esse armamento responde pela (óbvia) quase impossibilidade de se contrabandear armas de fogo para o interior dessas cadeias. No presídio de segurança máxima de Alagoas, eis que se descobre o uso de revólver. Como explicar isso? Como explicar o assassinato, a tiros, de um preso que era acusado (entre vários crimes) de um assassinato que chocou a opinião pública? Como explicar o evidente funcionamento do crime organizado, a ponto de fazer circular armas de fogo entre as celas? Em todo o País, a população padece do horror da insegurança. Seja nas ruas, nos lares, no trabalho, nas escolas ? em todos os lugares ? o povo sente na pele a insegurança. Como deveremos nos sentir sabendo que até nos presídios os bandidos fazem o que querem?