Opinião
Zumbi perene - Editorial
Novembro chegou, e conforme reza a tradição, a lembrança de Zumbi dos Palmares se aguça, sendo vertida em programação na Serra da Barriga e noutros pontos. Justa é a agenda de eventos ser reforçada em novembro, afinal neste mês, no dia 20 do ano de 1695, Zumbi foi morto, encerrando-se aí a excepcional epopéia dos negros rebelados contra a escravidão e que ousaram construir seu próprio mundo por quase um século, até ser destruído pelas hordas bárbaras de Domingos Jorge Velho, em fevereiro de 1694. Que novembro seja repleto de festas e que essas sejam distribuídas pelos vários lugares que marcam essa epopéia. Que a Serra da Barriga, em União dos Palmares, e que a Serra Dois Irmãos, em Viçosa, transformem-se em palcos dignos da magnitude da memória do Quilombo dos Palmares. Repetindo, porém, o dito aqui, anos atrás, insistimos: Zumbi, Ganga Zumba e tudo o que representa o Quilombo dos Palmares é muito maior que novembro. Esse patrimônio da história e da cidadania só pode ser comemorado adequadamente se for tema de eventos permanentes e espalhados ao longo de todos os meses do ano ? e dentre essa agenda plena, que novembro seja reverenciado com mais intensidade. Todo patrimônio da história é também um foco de atração cultural e turística, e daí converte-se em fonte de geração de emprego e renda. Mas tal corrente produtiva só se estabelece se as autoridades públicas, a iniciativa privada e as comunidades estiverem conscientes e motivadas para vencer os desafios da valorização desse patrimônio. Depois de impregnados dessa consciência de valor histórico e cultural (e só depois) é que serão exigidos investimentos materiais (também indispensáveis). Quem sabe, no próximo ano, não seja necessário lembrar-nos de Zumbi dos Palmares quando novembro chegar, ou quando transitarmos pelo Aeroporto.