Opinião
Uma nova gera��o de genros e noras
| Benedito Ramos * A semana passada, talvez pela primeira vez na história, uma mãe vai a um programa de TV e fala do namorado do filho, reconhecendo, publicamente, a sua situação homossexual. É possível, que para boa parte da geração, nascida até o segundo quartel do século XX, isso seja um escândalo. Ainda hoje, mesmo nas relações heterossexuais, poucos pais admitem que suas filhas durmam em sua casa com o namorado. Outros fingem ignorar que as filhas conheçam motéis. Mas até aceitar a presença do namorado do filho convivendo lado a lado com o restante da família isso ainda parece forte. O século 21, com certeza, traz essas surpresas nas relações familiares. Como tratar os genros que deveriam ser noras ou as noras que deveriam ser genros? Como explicar aos pequeninos a presença do tio ao invés da tia ou vice-versa? E as relações com os pais do genro ou da nora? Isso, apenas para começar. Mas se houver uma união estável amparada por futura lei serão necessários alguns neologismos para se referir ao casal. A evolução dessa história parece fazer um paralelo com o próprio surgimento da AIDS, quando em 1982 é apelidada de Câncer Gay, como se fosse a condenação da espécie - o apocalipse dos sodomitas do século 20. Com o tempo as pessoas foram se revelando, a sociedade se tornou mais tolerante e os governos reconheceram a existência de uma outra forma de relação entre iguais. Quem poderia imaginar até os anos 80 que o preservativo pudesse ser oferecido gratuitamente pelo Estado? Mas há muita coisa ainda que nem os sociólogos previam: como seria a prática das relações sociais diante desse novo cenário? O agir normalmente, sem olhar atravessado, quando a história deixou registros execráveis sobre o assunto. Como tornar esse fato hoje menos agressivo? Em questão de moral o século 21, não é pior nem melhor, é igual. São as relações que envolvem sexo que continuam vivas. Apenas saíram da alcova. O erotismo sistemático, atualmente, faz parte do cotidiano não só de gays, mas de mulheres e homens respeitáveis que procuram salas de bate-papo na Internet e já nem se contentam com o simples diálogo, mas com imagens e sexo ao vivo. Continuamos a ser todos execráveis. No entanto, vimos o papa Bento XVI, promovendo o afastamento de homossexuais dos seminários para conter a pedofilia. A Igreja deveria deixar que o celibato fosse, como o próprio Cristo previu, opcional e não obrigatório. Afinal, sem castidade o celibato é hipocrisia. (*) É escritor ([email protected]).