Opinião
A igreja de Deus
| Dom Edvaldo Amaral * Como deve ser a nossa Igreja? Repito aqui o que disse numa breve pastoral de 1998. Como queremos a nossa Igreja? Queremos ser uma Igreja livre - sem estar atrelada aos poderosos de turno. Uma Igreja pobre - despojada, sem ambições terrenas, sem pretensão humana, sem se apoiar no dinheiro, no poder ou no prestígio. Uma Igreja presente na História - em favor da justiça, na defesa sincera dos oprimidos e dos injustiçados. Uma Igreja evangelizadora - anunciadora consciente do Evangelho de Jesus, que é força, libertação e profecia do Reino. Uma Igreja ministerial - toda ela a serviço, fazendo desabrochar, preparando e fortificando as vocações sacerdotais com nossa prece fervorosa ao Senhor da Messe a fim de que mande operários para a sua colheita; as vocações diaconais dos servidores do Evangelho; as vocações religiosas de total consagração ao Senhor nos vários serviços eclesiais, seja o da oração, seja o da ação pastoral-paroquial, seja o do ensino ou da saúde. As vocações leigas, que exercem seu protagonismo próprio, sendo Igreja no coração do mundo e sendo mundo no coração da Igreja. Uma Igreja catequística - que deve fazer da catequese sua preocupação prioritária e constante na transmissão viva, fiel e sistemática da mensagem cristã às crianças, aos jovens e aos adultos, conforme os tempos e os contextos sociais. Uma Igreja aberta - acolhedora também dos não-católicos e não-cristãos e ao mesmo tempo uma Igreja missionária - para fortificar na fé os batizados ?distantes?, sem ingênuo proselitismo. Uma Igreja dinâmica - ativa, com imaginação criadora de novas formas e meios apostólico-pastorais. Uma Igreja não preocupada com os números - consciente de que vive numa sociedada laicista, numa cultura pós-cristã e muito materializada. Uma Igreja promotora da justiça - atenta aos pobres e excluídos que em nossa região, sofrida e abandonada, são a maioria. Uma Igreja confiante na eficácia da oração, da vida de contemplação, da presença do Espírito, no mandato missionário de Jesus aos seus apóstolos, seus enviados. Um Igreja esperançosa da eficácia do segredo da força interior e sobrenatural da fé e das bem-aventuranças, que transformariam o mundo. Uma Igreja fiel - indissoluvelmente ligada à Cátedra de Pedro e ao seu magistério supremo, garantia da autenticidade de nossa fé e de nossa união com Cristo. (*) É arcebispo emérito de Maceió.