Opinião
Cuba e a crise
| Eduardo Bomfim * Não é preciso ser um cientista social, economista, para identificar elementos de uma crise, cuja gravidade e diversidade são concretas. No vetor econômico, o País obtém superávits consideráveis, sistemáticos. No entanto, as taxas de geração de empregos são ínfimas em relação aos objetivos almejados de mais postos de trabalho no País. Na verdade, o caminho do crescimento nacional, baseia-se em receituário determinado pelos organismos econômicos internacionais, em especial o Fundo Monetário Internacional, FMI. Cuja linha ortodoxa, objetiva o pagamento da dívida brasileira, ou os juros que dela são cobrados. O governo busca a difícil empreitada de promover o crescimento econômico, combinando essas orientações, com iniciativas de inclusão social. Os resultados são tímidos, muito embora sejam evidentes certas diferenças em relação ao período do Fernando Henrique Cardoso. A conseqüência de tal situação são os restritos investimentos em infra-estrutura, escolas, recuperação de estradas, ferrovias, habitação, hospitais, que não conferem à atual gestão uma marca claramente distinta, em sentido contrário ao governo anterior e sua política neoliberal. Na área política, os campos são significativamente demarcados. De um lado, as forças de caráter nacional, defensoras das substantivas mudanças sociais para o Brasil. De outro, encontram-se aqueles desejosos do retorno ao poder central e aos regionais. Mas que durante oito anos, aplicaram com exaltação e convicção as diretrizes conservadoras exigidas pelo capital financeiro através do FMI. A luta pirotécnica que assistimos pelos órgãos de comunicação, decorre de uma estratégia política e visa levar o governo ao imobilismo ou mesmo a sua derrocada antecipada. Caminho idêntico segue a revista Veja ao denunciar que a campanha de Lula teria recebido dólares de Cuba. Esta nação padece de recursos para sustentar a si própria em condições razoáveis, vítima, entre outros fatores, do bloqueio econômico que lhe impõe os EUA há dezenas de anos. Não possui condições de exportar dólares, financiar eleições, muito menos em países continentais como o Brasil. Não é o seu propósito, e todos sabem disso. A matéria da revista é claramente um insulto à inteligência. Uma época de indigência na política brasileira. (*) É advogado e secretário de Estado de Cultura.