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Coalhada saudosa

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| Marcos Davi Melo * Era uma coisa gostosa de ver. Quando nos hospedávamos em Boa Viagem, no Recife, no café da manhã, depois das frutas, competindo com tantos produtos industrializados de grandes empresas multinacionais, lá estava a coalhada Boa Sorte das Alagoas. Era com prazer e orgulho que a consumíamos, sempre incentivando os turistas para provarem a comidinha. A coalhada magra Boa Sorte é um produto de primeiro mundo, uma utopia que contempla os nossos anseios de desenvolvimento. Para nossa tristeza, os nossos estômagos estão órfãos. Enquanto recebíamos já com saudade a notícia do desaparecimento da coalhada, que não é apenas um produto de qualidade, mas simboliza o triunfo da iniciativa privada alagoana no que ela tem de melhor (o saudoso Zé Aprígio e a valente Themis Vilella ), as autoridades batalhavam em Brasília para reduzir a sufocante dívida pública do Estado com a União. É uma realidade draconiana. Uma dívida pública gigantesca, impagável e uma iniciativa privada que mesmo vitoriosa, com razões se retrai; com ou sem razões emigra para outros centros. Os números mostram que mais da metade de tudo o que Alagoas arrecadou em 2005 foi gasto só com a folha salarial do funcionalismo público; mesmo assim as greves pipocam em diversos e essenciais setores dos serviços públicos. Acrescente-se ainda o que deveria vir de Brasília e que por débitos anteriores já fica retido por Palocci e o que sobra para investimentos e mesmo para manutenção é insuficiente para manter o peso da máquina pública. Daí as performances medíocres que se repetem ad nauseam nos indicadores sociais e econômicos do Estado e de nossa amada Maceió, que paradoxalmente ao mesmo tempo em que é eleita como uma das cidades mais belas do País também é rotulada como uma das piores em qualidade de vida entre as capitais brasileiras. Vimos finalmente, nos últimos meses algumas louváveis iniciativas que almejam fugir desse precipício que é o tamanho desmesurado da máquina pública em um Estado pobre e pequeno como o nosso: o novo aeroporto e o Centro de Convenções, que se destinam a incrementar a economia via a iniciativa privada, que ao contrário do setor público, não onera a Fazenda e reduziu drasticamente as greves nos últimos anos. Se algo é óbvio aqui, é que é preciso fugir desse ralo que tem sangrado as finanças do Estado: a dependência excessiva dos cofres públicos para manter um exército de Brancaleone que nunca para de crescer e nunca fica saciado. (*) É médico.

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