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Palavras ao vento - Editorial

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Depois de dias de bravatas, a semana política termina com um fato novo, verossímil, que se anuncia como um grande complicador para o governo federal: o desvio de recursos do Banco do Brasil para empresas de Marcos Valério. Se comprovada a movimentação irregular de uma soma denunciada como 10 milhões de reais, aí a coisa complica mesmo. Segundo os parlamentares investigadores, esse valor teria sido repassado a uma das empresas integrantes do valerioduto por serviços de publicidade que ? segundo o relator da CPI dos Correios ? nunca teriam sido prestados. Pelo sim, pelo não, esse fato novo evidencia o retorno das investigações e dos debates das CPIs aos fatos aos quais devem se ater essas comissões e o próprio parlamento. Esse é o caminho, o dos fatos concretos, para se nortearem os inquéritos com o fito de chegarem ao seus devidos objetivos: esclarecer as denúncias e se comprovadas irregularidades, identificar os culpados e propor punições adequadas. Esse não era o caminho que estava sendo percorrido nos últimos dias. Caminhava-se por veredas, em círculos, almejando apenas ocupar espaços na mídia em função do poder da garganta de cada um. Nesse caminho equivocado, o arroubo estava fazendo escola e três parlamentares, todos de considerável projeção na sociedade, chegaram a prometer ?dar surras? no presidente da República. Ora, ora... Nesse nível, só quem apanha mesmo é a cidadania. Apenas um parlamentar foi cassado ? exatamente o que deu início a todo esse processo; exatamente o que acusou. E, deixemos claro: de nada adianta apenas cassar ? se não forem punidos todos os envolvidos nos esquemas (corruptos, corruptores e intermediários), se não forem identificados as origens, destinos (e dutos de escoamento) dos dinheiros, pouco estaremos fazendo pela cidadania.

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