Opinião
Horror impune - Editorial
Seqüestro é crime hediondo. Em Alagoas, além de hediondo, está se tornando banal. Estamos diante de uma transformação qualitativa terrível, que mais parece típica das localidades assoladas pelo terror mais radical, de fundo religioso ou político. Nesses lugares, o povo sofre a múltipla infelicidade de ser castigado pela covardia de uma explosão e pela repetição impune, insana, desse ato cruel. Em Alagoas os seqüestros estão sendo replicados como uma erva daninha. Todos os dias a imprensa reproduz o desespero das vítimas, o horror das famílias, a desesperança de quem se sente só, sem proteção dos órgãos públicos. E estamos falando dos casos que chegam ao conhecimento da mídia, pois muitas pessoas procuram atender a primeira ordem dos bandidos, que é a de manter afastadas a imprensa e a polícia. Na verdade, quantos seqüestros estarão sendo cometidos em Alagoas nos últimos meses? Todos os dias circulam notícias, à boca miúda, sobre um novo caso. Praticamente todos os dias, a estas notícias seguem-se apelos desesperados por ajuda, normalmente clamando por um auxílio incoerente, o de serem ajudadas em silêncio ? sem reportagens, para não ?piorar? o problema. Triste engano, cruel imposição dos raptores, que precisam manter as negociações restritas entre as famílias acossadas e os próprios bandidos, assim tornados senhores da situação. Seqüestra-se para todas as formas de extorsão, de roubo: seja pela cobrança do resgate, seja pela utilização do próprio seqüestrado como sacador de sua própria conta ou cartões de crédito. O que precisa surgir, todos os dias, é a notícia da identificação e prisão dos bandidos. Sem um basta, sem o desmantelamento e detenção desses grupos de bandidos, esse crime hediondo só tende a se espalhar mais, tornando - mais e mais - a população refém do crime organizado.