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Opinião

Sonhos n�o realizados

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| Milton Henio* Nos anos 60, do século passado, anos dourados da minha vida, eu e um punhado de jovens colegas de Faculdade e amigos leais frequentadores das rodas de conversas na porta de minha casa no Parque Gonçalves Lêdo, sonhávamos com um Brasil grandioso ao chegar o ano 2.000. E tudo levava a crer que isso seria possível. A marcha para o progresso era evidente naqueles tempos. O espírito nacionalista invadia a alma dos jovens daquela época e o entusiasmo notava-se em tudo o que dizia respeito as nossas riquezas: o petróleo, o ouro, o ferro, nossas matas, nossos mares e rios. Hoje, passados mais de 40 anos daqueles encontros inesquecíveis da minha juventude, meus colegas de turma e amigos do passado, assistimos entristecidos o desmoronamento daqueles sonhos. Ficamos profundamente decepcionados ao verificarmos que a realidade atual é cruel em nosso País, que é preocupante a crise econômico-social que está minando as bases da sociedade brasileira e ainda mais com essa corrupção desenfreada na política. A questão principal que angustia o povo brasileiro é uma só: como achar o rumo do desenvolvimento? Lula mostra-se inseguro. Hoje acontece o pior: o funcionário público, o leiteiro, o agricultor, o pescador, o profissional liberal, enfim, todo brasileiro está sentindo que sua vida passou a ficar mais difícil, mais angustiante, com uma sobrevivência altamente estressante. O povo brasileiro é normalmente otimista e bem-humorado apesar de todos os obstáculos. Nos dias que correm os holofotes e os flashs estão voltados para os traficantes, para a violência, para a corrupção, deixando de lado a situação de penúria em que o Brasil está vivendo nos últimos tempos. Vejamos dados recentes: a) calcula-se em 45 milhões o número de pessoas que vivem atualmente no Brasil abaixo da linha de pobreza, com renda inferior a um salário mínimo; b) 80% dos brasileiros dependem do SUS para o atendimento de sua saúde; c) a economia informal - na qual os salários são incertos e não há recolhimento da Previdência nem pagamento de impostos - já chega a 15 milhões de trabalhadores, 25% de toda a população trabalhadora do País. O funcionalismo federal não tem aumento condigno há mais de 10 anos, ficando essa classe cada dia mais em dificuldades. As Universidades Brasileiras em greve e todas sucateadas, e os professores sem estímulo. Nossa dívida externa já assume proporções alarmantes. Todos esses dados mostram que temos que continuar no subdesenvolvimento ainda por muitos anos, dependendo dos países ricos. (*)É médico ([email protected]).

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