Opinião
Boa Sorte: um amor tipo A
| VALÉRIA HORA BARROS * Fazíamos o curso de pós-graduação, quando desde já, Themis se preocupava com a excelência dos serviços que se pretendia oferecer à Boa Sorte. Era um zelo, um rigor que chamava atenção de todos. Queria ouvir, desde os colegas de classe, professores e funcionários, sobre o que pensavam, o que esperavam, o que achavam sobre o produto, que à época, ainda era só o leite. Desde aquele tempo impressionava-me, a dedicação de Themis ao projeto que pertencia ao casal. Decidiram entrar no mercado do Recife fazendo um lançamento no shopping, com a presença de uma vaca! Como que alguém pode pensar e melhor, conseguir colocar uma vaca dentro de um estabelecimento comercial fechado? Foram meses de negociação com os gerentes, mas ela conseguiu. E daí conseguido, vem toda a viabilização da idéia, a ida da vaca com conforto, evitando buracos na pista ou barulhos, sim, porque a vaca não podia sofrer com o estresse da locomoção, pois isso comprometeria sua produção de leite; o pasto para a vaca descansar, a passarela para a vaca passar sem sujar absolutamente nada do chão do shopping ? compromisso assumido e cumprido com os gerentes; as vendedoras impecavelmente simpáticas e uniformizadas, com a fala pronta e segura para promover o produto; o estande dentro do shopping, valorizava a cultura local e Themis incansavelmente ativa e competente, sempre presente ajudando e atendendo a todos que queriam algum esclarecimento. Eu, como estudante de marketing, não poderia estar ausente de tamanha ousadia perfeita. Perfeita sim, e perfeito como tudo que Themis decide fazer; ela pensa em tudo, exige de todos, ouve todos e sobretudo tinha sempre o aval do Zé dela, era assim que falava: ?Meu Zé?. Passei a compreender e também a admirar, que, o produto leite tipo ?A?, refletia um amor fruto da relação que Themis e Zé Aprígio compartilhavam, um amor tipo ?A?. É como tudo que fosse produzido naquela fábrica tivesse um carimbo, além de qualidade, de amor, que nós consumidores nos beneficiamos como verdadeiros filhos de uma relação equilibrada, dedicada e verdadeira. Quando perdemos um amor querido, mudamos também a forma do amor até para conseguir sobreviver. A vida tem várias etapas, dentro dela ciclos, que têm início, meio e fim. Lamento muito o fechamento da fábrica, mas compreendo que para ter uma atitude dessa, Themis com certeza avaliou com o mesmo carinho e zelo que dedicou esses anos ao projeto do casal. (*) É profissional de marketing e estudante de psicologia.