Opinião
Espiritualidade do cora��o
| DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Por ocasião do segundo Encontro Arquidiocesano de Maceió, revivemos a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, iniciada em meados do século XVII, em um pequeno povoado da França, chamado Paray-le-Monial. Em uma visão mística, a religiosa da visitação, Margarida Maria Alacoque, hoje canonizada santa, viu o Sagrado Coração de Jesus, cercado de chamas, rodeado de uma coroa de espinhos. Com o passar do tempo, Paray-le-Monial se tornou um lugar de oração, sendo conhecida como ?cidade da misericórdia? e os peregrinos contemplavam a mensagem que Jesus transmitiu para aquela consagrada: ?Meu coração divino está tão inflamado de amor pelos homens e por ti, em particular, que já não consigo reter as chamas de sua ardente caridade. Necessito difundi-las aos homens, por teu intermédio, a fim de enriquecê-los com os preciosos tesouros de meu coração. Eu te escolhi para a consecução desse grande desígnio.? Teve início, com essa devoção, um novo tempo na história da Igreja, não por ser uma nova devoção, mas a restauração da própria Páscoa de Cristo, apresentada com um manto de misericórdia generoso e benfeitor, acenando promessas e garantias de felicidade e realização. É a redescoberta e manifestação do amor misericordioso de Jesus Cristo. A devoção ao Coração de Jesus surge com um grupo de jovens seminaristas, formandos do colégio dos padres jesuítas em Paris. Sentindo o desejo de ajudar pessoas idosas e desprovidas de bens materiais, resolveram criar, então, no próprio estabelecimento de ensino, uma Associação Religiosa de caráter beneficente, voltada à oração e à prática da caridade. Desse movimento, estimulado e orientado pelos Jesuítas, surge o Apostolado da Oração que, buscando ver Jesus em um coração irradiante de amor, deseja a cada dia viver esse testemunho. Pela experiência de minha caminhada como sacerdote, assumindo paróquias e tendo um maior contato com o povo de Deus, dou testemunho do eficiente trabalho pastoral de sustentação que o Apostolado da Oração exerce nas comunidades. Costumo afirmar que seus membros são as aroeiras da paróquia, ou seja, atravessam gerações, adaptando-se a várias fases de serviço e nunca morrem. O amor ao Coração de Jesus é, sem dúvida, símbolo e sinal do amor do Pai e do Espírito Santo para conosco. É Cristo por dentro: manso, humilde, paciente, terno, compassivo, magnânimo, generoso, afável e orante. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.