Opinião
Sina do paliativo - Editorial
A edição dominical da Gazeta destacou a situação angustiante a qual estão submetidos os usuários da Avenida Fernandes Lima, uma das principais artérias de Maceió. E, corretamente, o texto avalia que paliativos terminam sendo transformados em soluções ?principais? ? o que alimenta verdadeiras bombas (urbanas) de efeito retardado. O paliativo ? eficiente, mais ou menos, para hoje ? exige novas respostas amanhã, senão o problema tende a multiplicar-se com o tempo, vindo a ?explodir? num quadro de sem solução dentro de poucos anos. O grande problema é que não criamos novas opções, estratégicas, para o desenvolvimento urbano de Maceió, e os problemas vão estourando aqui e ali e vão recebendo paliativos cá e acolá e, em todos os lugares, explodirão de vez num futuro próximo. Esse é o caso da Fernandes Lima ? que só poderá ser resolvido com a distribuição do fluxo, através de obras de fôlego como a urbanização do vale do Reginaldo. Explosiva também é a situação da orla maceioense. O maior dos problemas está anunciado: a anarquia imobiliária que ameaça o litoral norte da capital. Afinal, qual é mesmo a legislação que orienta a ocupação urbana em áreas estratégicas como Cruz das Almas, Jacarecica, Guaxuma, Garça Torta, Ipioca? Em alguns desses pontos estão sendo divulgados prédios de 20 andares ? sem que haja um centímetro de saneamento nessas beiras de praia. Pode-se antever a perda de boa parte do enorme potencial daquela área estratégica para a oxigenação urbana de toda região norte da cidade e para a construção de um sistema adequado ao turismo sustentado. E aí, a síndrome da Fernandes Lima tende a se espalhar, como se conduzida por um vírus. Trânsito caótico, poluição visual, esgotamento das potencialidades. E, novamente, mais paliativos caros e ineficientes a longo prazo.