Opinião
�poca rom�ntica
| GILBERTO DE MACEDO * Falar de romantismo é dizer dos comoventes sentimentos, da pureza da afetividade nos comportamentos individuais, do amor perfeito, sem pecado, inteiramente leal e sincero, e ainda do encanto diante das maravilhas da natureza, revelando a beleza da vida. Tudo isso que inspira poetas, compositores, trovadores e todas as pessoas aperfeiçoadas sentimentalmente, que vivem comovidas pela existência. É do estado de alma que envolveu as pessoas numa determinada época do passado recente. Disposição emocional que, com requinte de perfeição leva a perceber a vida, em geral, e, particularmente, a pessoa amada. Sentimento sublimado, de pureza de espírito, todo envolvido de bondade e dedicação, sem quaisquer vislumbres de maldade e hipocrisia. Na natureza, a emocionante visão da paisagem, com a luminosidade solar ao amanhecer do dia; e durante a noite, o brilho das estrelas no firmamento; e nas noites de luar o fulgor resplandecente inspirando paixões. Na esfera humana, a cintilante formosura da pessoa amada, na combinação de graça corporal e bondade de alma. O ideal imaginável. Tudo é dado pela atitude romântica, tempos atrás, ensejando o saudorismo de hoje. Uma época fascinante. Assim, acontecia nas madrugadas enluaradas, quando os boêmios apaixonados, em lamentos, pelas ruas cantavam o amor passado, mas ainda esperançoso na ilusão conservada: ?Não voltarás aos braços meus,/ nem voltarei aos braços teus,/ mas dentro em nos há de existir,/ sempre o desejo a nos unir...? Era a perseverança na esperança do amor, pela ilusão do desejo. E outros, desiludidos e desesperados, assim clamavam: ?Lua! vem com tua luz prateada,/ despertar a minha amada!... tu não vês quem te chama sou eu,/ entre as neblinas se escondeu...? E outros, saudosista sem pesar, lembravam: ?Misterioso amor, / tu me deixaste a boca em brasa...? E haviam os desiludidos totalmente que se lamuriavam ?Tu não te lembras da casinha pequenina,/ onde o nosso amor nasceu,/ tinha um coqueiro ao lado,/ que, coitado, de saudades,/ já morreu ...? Sem revolta, sem ressentimento, de alma leve, prosseguiam até o sol raiar. Noutro ângulo, da erudição, os poetas, não menos sentimentais, com a estética da linguagem, manifestavam-se em suas múltiplas conotações metafóricas. Por exemplo, Vinicius de Morais: ? Eu posso me dizer do amor (que tive): que não seja imortal,/ posto que é chama./ mas que seja infinito enquanto dura.? (*) É médico.