Opinião
Cidadania e aliena��o
| José Medeiros * Falta de consciência dos problemas políticos, sociais, históricos, é uma das definições de alienação; alheamento a fatos marcantes do meio em que se vive. Ninguém mais se espanta - mas deveria ficar espantado - quando, em feriados comemorativos de datas cívicas, o repórter pergunta a um grupo de pessoas que se bronzeiam na praia: sabe o que representa este feriado? A data histórica de 15 de novembro, por exemplo? - Não, não sei. O repórter insiste, ajuda, dá umas dicas, e nada. Pode parecer incrível para você, leitor, mas essa alienação existe. O conhecimento histórico não pode ficar restrito a uma minoria seleta; pelo contrário, deve ser ensinado e divulgado, tanto quanto possível. Sei que estou repetindo o óbvio, o ?óbvio ululante?, para usar uma expressão tão repetida por Nelson Rodrigues. O cultivo do sentimento alagoano, a ?alagoanidade?, identidade cultural e cívica são indispensáveis para a consciência do cidadão. Quando se fala em valorização do estudo da história, do culto aos símbolos nacionais, não se está defendendo coisas desatualizadas, nesse mundo da Internet e da comunicação instantânea da imagem. Trata-se de necessidade imperiosa. Cidadania é palavra sempre repetida. Em História de cidadania, livro recentemente publicado, o autor inseriu uma definição do que é ser cidadão: ?Ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei. Ter direitos políticos e sociais: direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila?. Nem sempre a nação cumpre essas obrigações relacionadas ao cidadão. Encontro, num folheto oficial de um estado vizinho, programa que orienta a preparação de celebrações cívicas, que cito, embora cada um tenha seus usos e costumes. Recomenda cursos de história para professores da rede estadual de ensino; execução, obrigatória, do Hino Nacional, uma vez por semana; trabalho com os alunos sobre o significado e interpretação das datas cívicas; concursos sobre temas históricos. Folhetos explicativos distribuídos ressaltam a necessidade e a conveniência de promover a preservação e o resgate da memória histórica, fomento ao sentimento cívico e ao patriotismo. Gosto das palavras do filósofo dinamarquês Kiekgard: ?A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente?. Quem somos, afinal, se nada sabemos de nossa própria história? (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.