Opinião
A escalada da viol�ncia
| Marcionilo E. Santo Neto * Há alguns dias, ?comemorou-se? o dia da bruxas (Halloween) nos Estados Unidos e, por tabela, no Brasil, para manter a tradição de bons imitadores. Por lá, crianças, principalmente, fantasiam-se de duendes, fantasmas e assemelhados, às portas das casas, anunciando ?gostosuras ou travessuras?, significando dizer que ou lhes dão doces ou eles promovem a bagunça. À primeira vista, trata-se de inocente brincadeira, sem maiores conseqüências... Entretanto, em Maceió, a data foi lembrada de maneira diferente. Nesse dia, a ?bruxa estava solta? e vários ônibus foram assaltados, com prejuízo de motoristas, cobradores e passageiros, além dos crimes que diariamente acontecem nesta cidade e no Estado. Os assaltos aconteceram quase ao mesmo tempo e em locais diferentes, seguindo o triste exemplo dos ataques terroristas. Foi uma situação emblemática da vulnerabilidade do cidadão comum, que já não tem lugar onde possa se sentir seguro, pois é assaltado a pé ou motorizado, fora ou dentro de casa, e muitas vezes com violência. Os órgãos de segurança, apesar de sua atuação, vêem-se na situação de quem ?enxuga gelo?, pois os marginais assemelham-se a uma praga, uma verdadeira epidemia ou pandemia. Assaltos, seqüestros, assassinatos e todo tipo de crime são cometidos praticamente todos os dias, e os bandidos sentem-se à vontade como se nada os ameaçasse. É necessária uma ação mais eficaz do governo em seus níveis federal e estadual e um empenho ainda maior das forças legais no sentido de coibir a escalada da violência que se verifica. Inclusive, deve ser efetivada, nacionalmente, uma campanha de valorização à vida nos meios de comunicação de massa. É urgente uma união dos poderes executivo, legislativo e judiciário para levar a cabo medidas duras, eficazes e permanentes contra o crime, ?doa a quem doer?. Chega de ?passar a mão na cabeça? dessa gente. Algo deve ser feito com extrema urgência, pois do jeito que as coisas estão os bandidos vão tomar conta da situação, e nós seremos eternos reféns do medo e da intranqüilidade. Contudo, as ações sociais devem ser implementadas urgentemente, com criação de empregos, assistências médica, educacional e tudo aquilo que venha a contribuir com uma vida melhor para todos. A falta dessas coisas é estopim e faísca para a deflagração da convulsão social, sem sombra de dúvidas, um dos fatores que desencadeiam a violência. (*) É funcionário público estadual.