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O relat�rio Pochmann

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| Eduardo Bomfim * O doutor Márcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas em São Paulo, publicou um recente artigo, carregado de severas conclusões. Afirma que o Brasil regrediu para a posição de 14ª economia mundial, após ocupar o oitavo posto entre as nações. Denuncia o aumento da ociosidade da mão de obra. Por faltas de vagas de trabalho nos segmentos de maior escolaridade da classe média, pelo desemprego em massa ou em função da explosão do subemprego. Essa análise compreende uma radiografia dos últimos vinte e cinco anos da realidade econômica do Brasil. Mesmo assim, diante do quadro traçado, o professor registra o crescimento quantitativo de pessoas que enriqueceram no País. O número de indivíduos ricos dobrou no País, neste mesmo período. Muito embora signifiquem uma inexpressiva minoria em relação à população. Diz o professor que a maior parte dessas novas riquezas, está relacionada ao ?mundo da produção do prestígio e da autojustificação do sucesso individual?. Portanto, desvinculados de funções empreendedoras ou investimentos produtivos. Deduz-se que aumentou a opulência proveniente de uma casta de atividades parasitárias, descoladas de iniciativas em que o capital provém de investimentos que gerem emprego, renda e riqueza ao País. Se fizermos uma comparação histórica grosseira, parece-nos pelo relatório do ilustre professor, que o País conseguiu a proeza de fecundar, em plena República, sabe-se lá por quais mecanismos, uma nova aristocracia reinol, digna dos antigos reis de França. Faltando apenas os títulos de condes, viscondes, barões, duques etc. Márcio Pochmann possui grandes dúvidas sobre a origem lícita dessas fortunas. Considera que há uma espécie de ?caixa dois? nessa coisa toda. Porque não se encontram explicações convincentes para a acumulação dessas novas abundâncias patrimoniais. Quem sabe, afirma, proveniente de altas especulações financeiras, ou do submundo na esfera privada. De toda essa informação, procedente de estudos analíticos e estatísticos, nada se publica. Mesmo que venha a ser a mais importante revelação sobre a realidade brasileira, considerando o fato de que nesse mesmo período cresceu enormemente a concentração de renda no País. Muitos dos grandes escândalos na esfera pública, relacionam-se com as conclusões do dr. Márcio Pochmann. Resta saber quem vai mandar apurar. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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