Opinião
Enfrentar a viol�ncia
| Marcos Davi * Não só no ambiente de trabalho, mas onde circulei esta semana, o assunto era um só: a escalada da violência em Alagoas. Mesmo na reunião do Conselho Estadual de Saúde, na qual sobram dificuldades, um de seus membros mais atuantes, o sindicalista Benedito Alexandre, lançou uma moção de preocupações com a segurança pública que foi aprovada por unanimidade. O que me surpreendeu foi que mesmo entre os sindicalistas que fazem parte do Conselho e que não podem ser acusados de conservadores, a sensação de insegurança é tamanha que várias citações foram feitas com saudades dos tempos do Coronel Amaral. Certamente os tempos eram outros; a cidade menor e os problemas também. As situações do Estado e do País se degradaram infinitamente em relação à violência. Mas, por outro lado, a pergunta que está na boca de todos é se a violência entre nós, especificamente alguns crimes hediondos como os seqüestros não estariam em níveis exacerbados, desproporcionais em relação a outros centros de igual tamanho da região e isso seria péssimo neste momento em que o Estado tenta revigorar o turismo. A segurança será um atrativo fundamental para nos diferenciar dos concorrentes. Acompanhamos angustiados, como grande parte da população, o desaparecimento do estudante Guilherme Cabral, filho de dois pacatos professores universitários. Louve-se os esforços conjuntos das polícias civil, militar e federal na busca do rapaz. Até o encerramento deste artigo, nada tinha sido esclarecido. O sofrimento desses pais, só eles poderão medir. Soljenitsin afirmava que a violência não existe e não pode existir por si só; ela está invariavelmente entrelaçada com a mentira. Nesses momentos de grande tensão circulam versões aparentemente absurdas, como a possibilidade de os seqüestros serem uma fonte de finaciamento de campanhas eleitorais; da possibilidade de existir policiais envolvidos nas quadrilhas de seqüestradores. Devem ser boatos infundados. O que já está confirmado é a migração de perigosos marginais de outros estados para Alagoas e isso é intolerável, já basta os muitos que aqui atuam. O atual titular da segurança pública, Pascoal Savastano, é um homem de bem, respeitado por seu intelecto e por seu equilíbrio, com Roberval Davino deverão enfrentar a violência que assola o Estado dentro da legalidade, mas com o rigor que a situação exige. Situação crítica que levou combativos sindicalistas a afirmarem: homem de bem é homem de bem e bandido é bandido e assim deve ser tratado. (*) É médico.