Opinião
Dor infinita - Editorial
Sem dúvida, não é a primeira, em Alagoas, a tragédia brutal que ceifou a vida do estudante Guilherme Cabral. A dor dos familiares e amigos dessa vítima, porém, galvanizam os sentimentos da população alagoana. O horror que desabou sobre a família é o que se espalha pelos lares alagoanos ? é o terror da impotência das pessoas de bem frente ao mal do banditismo. Sem dúvida, a polícia merece o elogio de ter esclarecido esse crime e de estar em ação para por todos os responsáveis na cadeia. Não restam dúvidas, no entanto, acerca do crescimento do banditismo em Alagoas. Essa é uma certeza terrível, confirmada por assassinatos cruéis como esse, certeza corroborada pela impressionante escalada de seqüestros, certeza reafirmada pela seqüência de assaltos de todo o tipo. O horror paira sobre a sociedade alagoana e alcança ricos e pobres, empregados e desempregados, jovens e velhos, homens e mulheres ? é um terror sem discriminação, implacável. Haveremos de ser trucidados em silêncio? Precisamos de ações urgentes, sem dispensar novas políticas a médio e longo prazo. Repetindo o aqui já escrito, não podemos esperar a resolução das mazelas sociais para que os desafios policiais sejam equacionados ? precisamos de respostas imediatas contra o banditismo, de ações emergenciais, capazes de reunir as diversas polícias em torno de planos práticos, inovadores, no combate à explosão do crime em Alagoas. Guilherme não é o primeiro jovem covardemente assassinado, e não será o último, mas é indispensável que o seu martírio não seja em vão, que a sociedade se rebele contra a banalização da violência, que cobre ? sem tréguas ? às autoridades públicas medidas eficazes contra o crime organizado. Sem dúvida, a dor e as lágrimas por mais essa vítima inocente devem ser transformadas em um grito de protesto, em um brado pelo fim desse estado de coisas.