Opinião
Continua o show - Editorial
Teremos CPI dos Correios, pelo menos, até abril de 2006. Isso pode significar que não teremos repostas positivas, por parte do governo federal, aos principais problemas que afligem a Nação durante este tempo. Desde a abertura dos trabalhos das primeiras Comissões Parlamentares de Inquérito, o governo vem se atrapalhando ainda mais, metendo mais ainda os pés pelas mãos e, nesse meio tempo, o País tem perdido velocidade e acumulado problemas. Até a portentosa blindagem do ministro Palocci começa a apresentar sinais ferruginosos, produto de inúmeras investidas diretas e indiretas de ex-auxiliares seus, que se esmeram em depoimentos explosivos às CPIs e nas entrevistas à imprensa. Para complicar ainda mais a vida do ex-todo-poderoso ministro, sua colega de plantão na Casa Civil também lhe dispara alguns petardos. Nesse cenário de todo caótico, não devemos nos esquecer de que o Ministério da Fazenda e sua política econômica ortodoxa eram as únicas vidraças ainda não alvejadas pelos estilingues do fogo amigo e pelos canhões da oposição. Nesse quadro, a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios sinaliza que vai continuar a política de bater insistentemente, sem tréguas, mas sem buscar levar o saco de pancadas à lona. O correto exercício da cidadania exige que os processos políticos tenham começo, meio e fim. É necessário o esclarecimento das denúncias, com identificação dos culpados e com os devidos encaminhamentos das punições previstas por lei. Que as falcatruas sejam identificadas pelas CPIs, que os responsáveis sejam punidos, mas que os trabalhos dessas comissões não sejam convertidos em meio e fim em si próprios. Que tudo isso não seja transformado em um espetáculo barato, donde ? ao fim e ao cabo ? o povo brasileiro, novamente, sairá como o principal condenado.