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Investimentos estrangeiros

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| Humberto Martins * Crescimento e desenvolvimento - repartição dos resultados do progresso entre a população de um país - não são mais resultados apenas do trabalho desenvolvido entre fronteiras, do acerto dos governantes e da capacidade da iniciativa privada local. Dependem também de investimentos internacionais. Essa é uma situação que não exclui nação alguma. Essa circunstância forçou regimes historicamente fechados, hostis a quaisquer relações com estrangeiros, a mudarem radicalmente de atitude, casos entre outros da Líbia, para citar exemplo recente. Tal transformação não exclui, naturalmente, a indispensável importância de um governo responsável, que mantenha a inflação sob controle, compromissos financeiros em dia, balança comercial com saldo ou ao menos equilibrada. Pois são justamente procedimentos assim orientados que atraem os investidores internacionais, dando-lhes segurança para os capitais alocados. Quanto ao recebimento de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), o Brasil está razoavelmente colocado, em quinto lugar, ao que revela pesquisa realizada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Isso ocorre apesar do câmbio valorizado, dos juros altos e de um crescimento econômico inferior à média das nações em desenvolvimento. Como receptor de IEDs, o Brasil está atrás apenas da China, Estados Unidos, Índia e Rússia. A tendência mundial, agora, é que esses investimentos mantenham-se ascendentes em curto e médio prazos, até 2008, após quedas significativas em 2002 e 2003. Existem, entretanto, fatores negativos - protecionismo, volatilidade nos preços do petróleo, redução do ritmo de crescimento nos países industrializados, terrorismo e instabilidade financeira - entre outros, que poderão reverter essa expectativa. De qualquer maneira, a posição brasileira, entre os cinco maiores receptores de investimentos estrangeiros, é perspectiva favorável, que deve ser considerada todas as vezes em que forem avaliadas as perspectivas econômicas e sociais do País. E é indicadora de que níveis desanimadores de crescimento e renda poderão evoluir, em médio prazo, para patamares melhores. Para se ter uma idéia da situação crítica que o Brasil viveu, em matéria de economia, mencione-se que, com todo esforço e sacrifício dos últimos dois anos, estamos agora no mesmo nível de confiabilidade, junto aos organismos financeiros internacionais, que Peru e Vietnã. (*) É desembargador do TJ/AL.

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