Opinião
F�rias na Europa
| Lysette Lyra * Passei grande parte de outubro e o início de novembro na Europa. O outono já havia começado. As folhas das árvores, arbustos e trepadeiras iam do amarelo ao vermelho escuro, enquanto a atmosfera emprestava às paisagens aquele tênue brilho prateado que tanto encanto confere à natureza nessa estação. Fui rever países que já conhecia de tantas andadas, mas que despertam sempre curiosidade pela sua história e arte. Não importa o que as guerras fazem a eles, seu povo, amante de suas memórias e consciente de seu valor, ali está sempre pronto a devolver-lhes o fulgor de sua legitimidade, atração perene do turismo mundial. Para aplacar a inquietação de meus familiares vendo-me viajar completamente só, na minha idade, tendo como companheira, indispensável, a minha cadeira de rodas automática, resolvi pegar uma excursão de ônibus que percorreria, além da França, a Alemanha, a nação Tcheca, a Hungria, a Áustria e a Itália. Prefiro, hoje, ir a poucas cidades demorando mais dias e ficando em hotéis bem centrais que facilitem a minha locomoção, mas como aderi a esse tipo de viagem tive que enfrentar, com paciência, suas inconveniências e divertir-me o melhor possível. Meus companheiros de várias nacionalidades latinas, eram gentis, na sua maioria, procurando ajudar-me com muita afabilidade. Iniciei meu roteiro por Paris, onde cheguei com a antecedência de quatro dias, aproveitando para rever tudo do que gosto na pátria dos Louises, felizmente ainda em paz. Não havia começado a balburdia que os imigrantes promovem na Cidade Luz. Um sol brilhante iluminou nossa visita à capital francesa e a temperatura estava amena, com gosto de primavera. Impossibilitada de conseguir ingressos para outros espetáculos, fui com os companheiros ao Lido, que está, aliás, com uma boa apresentação. Admirei-me do progresso de Frankfurt. A parte mais nova da cidade encheu-se de elevados e belos edifícios de estruturas em formatos inusitados que alojam os grandes bancos mundiais e hotéis de alto luxo. Hoje a mais importante economia se instala nessa respeitável cidade alemã. Nem parece que uma terrível guerra destruiu há tão pouco tempo esse país. Tem-se que tirar o chapéu para um povo tão grandioso! Somente um louco como Hitler teve o poder de destroçar essa importante nação, instilando entre uma população patriota e sumamente disciplinada, um fanático nacionalismo. Percorremos por longas horas seus campos, acidentados, cobertos, na sua maioria, de vinhedos plantados em terraços, que ocupam quase toda a região do Rio Reno entre castelos medievais que guardam do passado lendas e histórias interessantes. (*) É membro da Academia Alagoana de Cultura.