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O cuidado como ess�ncia

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| Jovânia de Oliveira * Ao falarmos sobre o cuidado devemos associá-lo a algo simplesmente dado? É o modo pelo qual inicio esta reflexão. Muito se comenta a respeito do tema, porém de maneira mais prática, integrando-o ao fazer técnico de modo a cumprir o que está estabelecido, sem que haja uma reflexão a respeito do que se considera essencial - a busca do ser, pois o cuidado é a essência do ser no mundo, que a cada momento está aberto a diferentes modos de cuidar. Mas qual a relevância em abordar o cuidado como essência? Nós cidadãos estamos sujeitos a vivenciar diferentes possibilidades para exercer o cuidado como essência, pois representa a base de nossa condição humana. A presente reflexão faz-se necessária dado a importância de que o ser humano tem de relacionar-se em sociedade, construindo e, por vezes, avaliando suas ações e decisões em meio ao mundo de competições que o envolvem em querer e poder ser, lembrando que o ser humano é ser intencional. O cuidado deste modo pode ser compreendido em sua amplitude, visto que ultrapasse os limites da assistência, isto é, significa mais que uma ação assistencial na interação do humano, sendo assim, mais que um fazer quando o relacionamos ao fazer técnico. Ao relacionarmos o cuidar com o fazer técnico estamos de maneira mais simples nos ocupando da execução de algo, sem no entanto nos preocuparmos com a essência do cuidar, porém, em contrapartida, no momento em que nos dispomos a compreender o cuidado como essência, isto é, a compreendê-lo como algo que representa mais que atenção, zelo - que representa uma atitude de ocupação e de responsabilização e envolvimento afetivo e efetivo com o outro, então de modo concreto poderemos implementá-lo em nosso dia-a-dia. O homem é dotado de sentimentos que concorrem para o desenvolvimento de sua afetividade e também sua sensibilidade para a efetivação do cuidar. O ser humano muitas vezes não se abre às possibilidades que se lhe apresentam, nas diversas situações, com as quais se relaciona no cotidiano, concorrendo para a implementação de ações e tomada de decisões sem se utilizar da sensibilidade que lhe é pertinente, para desse modo tornar efetiva sua aproximação à essência do cuidar. Assim, distanciando-se do cuidar enquanto essência, pois este caracteriza-se, sobretudo, pelo exercício efetivo de atenção ao semelhante, considerando-o em suas possibilidades e limitações. Desse modo pode-se considerar que quando o homem, valoriza o seu semelhante, já está, podemos assim dizer vivenciando a experiência do cuidado como essência. (*) É enfermeira e profa. da Ufal.

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