Opinião
Al�m das grades - Editorial
Muito preocupante está a situação do sistema prisional de Alagoas. Revoltas não são novidade, assim como é terrivelmente usual a prática das mais bárbaras violências durante essas rebeliões. O que preocupa, nesse caso, são as ligações entre a crise no interior dos presídios e o conflito institucional que coloca a cúpula desse sistema em confronto com a Justiça. A impressionante seqüência de rebeliões e a intensificação da violência nesse processo fragilizam a autoridade de todo o governo ? e não apenas os órgãos diretamente vinculados ao sistema prisional. A onda de protestos violentos conforma uma linha contínua de acontecimentos deploráveis nesse segmento, após o assassinato de um dos presidiários dos mais conhecidos e que estaria contribuindo com a justiça. Depois disso, a impressão indelével é que a situação fugiu totalmente do controle. O que mesmo está se passando no sistema prisional alagoano? Quais mesmo as causas e os objetivos dessa onda de rebeliões sangrentas? A falta de respostas objetivas e as ilações que podem advir desse cenário são preocupantes e podem deixar graves seqüelas na autoridade do Estado sobre esse complexo e explosivo sistema. Infelizmente, os fatos que teimam em manter os presídios em destaque nos noticiários constroem uma teia de tragédias que sugerem uma poderosa organização criminosa entre os apenados. Esses fatos escancaram uma impressionante liberdade de ação dentro das grades, descortinando um cenário de incríveis facilidades do tráfico (inclusive de armas) nas cadeias e de ágil comunicação entre os presídios de todo Estado. A presença de armas de fogo entre os detentos e a articulação entre os presídios são fatos indiscutíveis e escandalosos. Fatos concretos, indiscutíveis enquanto escândalos, e que demonstram que algo de muito grave, além das revoltas, está acontecendo nos presídios alagoanos.