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Opinião

Planejamento e obras

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| Vinícius Maia Nobre * Em cinqüenta anos, a população de Maceió cresceu seis vezes mais. O aumento demográfico, fruto principalmente da migração da população pobre do nosso interior, que em busca de emprego e hipotéticas vantagens que a cidade oferece, vieram habitar e povoar as grotas existentes entre nossos tabuleiros, ou nas margens da Lagoa Mundaú, únicos locais disponíveis para sua fixação a si conferidos. Para onde vamos? Sem intervenções planejadas, a nossa Maceió se transformará num caos. Preferimos um terminal aeroviário, memoriais a Deodoro e Floriano, um teatro com o maior palco giratório do País ou executarmos rede coletora de esgotos para atingirmos os 75 % de ociosidade do emissário submarino? São questões de prioridade e planejamento. Obras na superfície são mais observadas! Não é à toa o índice de insatisfação de nossa população com a 21ª colocação entre as capitais do Brasil e, no Nordeste, a penúltima. Desejamos saúde com saneamento básico, educação com mais escolas e professores qualificados e bem remunerados, segurança com policiais nas ruas melhor capacitados e vencimentos compatíveis e ainda o transporte de massa adequado às nossas condições? Afirmei em 1996, que Maceió possui um início de infra-estrutura férrea passível de ser melhor aproveitada. Lembrei que era possível uma conexão entre Bebedouro e o Vale do Reginaldo através de um túnel rodoferroviário fácil de ser executado pela proximidade entre o Cardoso e esse vale, como também pela natureza do subsolo. Mostrei ainda que muitas linhas poderiam ser implantadas de forma que a nossa capital pudesse ter transporte coletivo seguro e barato atendendo à sua população mais carente. Claro que, num primeiro momento, seria colocar em uso a linha que já está implantada, modernizando-a, inclusive, com eletrificação, retirando alguns pontos de conflito com ruas existentes, disciplinando o trânsito e colocando em operação estações que conectariam com linhas de ônibus. Está a prefeitura executando obras na ladeira do Brito e Antônio Brandão para tentar resolver o complicado trânsito na região. Será que passados alguns anos essas obras não estarão ultrapassadas? A poucos foi dado a conhecer o seu projeto e a população castigada pelos desvios decorrentes dos canteiros de serviços, fica a indagar a quem vai servir e se por muito tempo não irá transferir também seus atuais transtornos para um outro local próximo. (*) É engenheiro.

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