Opinião
Ao mestre Ari, com carinho
| MÁRIO LIMA * Exatamente há um ano o jornalismo investigativo brasileiro perdeu um de seus maiores talentos, o mestre Ari Cipola, que morreu aos 41 anos, de infarto fulminante. Paulista de Presidente Prudente, Ari adotou Alagoas como sua casa desde o começo dos anos 90, então como repórter especial da Folha de São Paulo, onde fez carreira durante 14 longos anos. Em Maceió, o jornalista fez sua estréia com a cobertura de um caso emblemático, a morte de Paulo César Farias, que lhe garantiu, em 1999, o Prêmio Esso de Jornalismo, a mais importante láurea da imprensa brasileira. Inquieto por natureza, o jornalista Ari Cipola sonhava, respirava e amava sua profissão. Incompreendido ou admirado, Ari era um trator quando estava em jogo o interesse público, a verdade jornalística e a beleza do texto. Misturava a apuração rigorosa dos fatos, com a boa informação e interpretação correta do cotidiano. Decidido a encarar novos desafios, levou o nome de Alagoas pelo Brasil afora. Já como coordenador editorial nacional do Sebrae, em 2002, idealizou e fundou a primeira agência de notícia focada em pequenos negócios, a Agência Sebrae de Notícias (ASN), que deu visibilidade para todo o País e para o mundo, casos de sucesso da economia alagoana, como o das Flores Tropicais, Bambuzeiras, o cooperativismo, o associativismo e a economia solidária. Sua última função era o sonho que tanto desejava, dirigir um jornal. Ari estava radiante e cheio de idéias, ao assumir como diretor superintendente e de redação o jornal Tribuna de Alagoas, em Maceió. Mas o destino lhe pregou uma peça. No auge da carreira, depois de curtir o carnaval temporão do Maceió Fest, Ari passou mal e morreu logo após sofrer um infarto fulminante. Fica na lembrança de quem foi seu amigo, as conversas, os projetos, as cervejinhas, os churrascos que tanto gostava de oferecer aos amigos em sua casa no Jardim Petrópolis, com família: Mari Cipola e os filhos Ariel, Vítor e Pedro. Ari Cipola era um motor em combustão que falhou na hora em que mais trabalhava. Mas não há de ser nada. A essa hora, ele deve estar em algum lugar do olimpo, pensando as manchetes azuis do Diário Celeste, com uma turma boa, como os gazeteanos João José, Freitas Neto, Dênis Agra, Jurandir Queiróz, Zito Cabral, Tobias Granja e o eterno fundador de jornais Noaldo Dantas. A turma de Alagoas lá de cima. (*) É jornalista.