Opinião
Demos gra�as ao senhor!
| Dom José Carlos Melo, CM * Na quarta semana de novembro, teremos a comemoração de mais um Dia de Ação de Graças. Como feriado, o Dia de Ação de Graças é comemorado anualmente na América do Norte na quarta quinta-feira de novembro. A maioria das pessoas celebra esse evento reunindo-se com a família e os amigos para um banquete tradicional. Comumente, conta-se sua história remontando aos tempos da colonização dos EUA. Em 1620, homens piedosos, recém-chegados, depois de enfrentarem as dificuldades e agruras da ?Nova Inglaterra?, no outono de 1621, tiveram uma safra abençoada e abundante. Como agradecimento a Deus por tão farta colheita, o primeiro ?Thanksgiving? (ação de Graças) foi comemorado não só pelos colonos europeus, mas também pelos índios americanos, que os ajudavam a aproveitar melhor a terra graças à sua grande experiência. No entanto, a origem deveras é mais antiga, remonta às tradicionais festas por ocasião da colheita em muitas partes do mundo, e muito antes do século XVII. Em nossos dias, o Dia de Ação de Graças tem sido especialmente festejado no seio familiar. É importante registrar a origem bíblica do Dia de Ação de Graças através da celebração da festa das colheitas e dos frutos novos (Ex 23.16). Diz-nos são Pedro Julião Eymard que ?todo benefício requer gratidão, e quanto maior seja aquele, maior deve ser esta?. Noé, tendo finalmente passado o dilúvio, saindo da arca não pensou em outra coisa senão oferecer um sacrifício a Deus como meio de agradecimento. Abraão, Moisés, Davi, profetas e sacerdotes do Antigo Testamento renderam graças ao Senhor Deus de Israel e feitor de todo bem! No Evangelho, em diversos momentos, somos o próprio Cristo, o Filho Unigênito, dando graças ao Pai. De forma especial, na última ceia, encontramos a ação de graças máxima de Jesus, naquelas palavras: ?Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam.? (Mc 14.22,23). Porém, como costuma dizer-se entre nós - e com razão! - ?a gratidão é a mais frágil das virtudes?. A História da humanidade está cheia de exemplos de ingratidão de uns para com os outros! Ela nos traz fatos espantosos até, como o de Bruto, filho adotivo de Júlio César, que participou da conspiração do Senado Romano contra este último, apunhalando-o no peito. Ao ver o golpe desferido pela mão César, entre gemidos, deixa escapar: Até tu, Bruto, que criei como meu próprio filho?! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.