Opinião
Palmares - Editorial
Mais um 20 de novembro, um dia a mais a comprovar a fartura do patrimônio histórico e cultural em Alagoas. Há cinco dias, festejamos os patronos da República, duas notáveis ? e distintas entre si, quase antagônicas ? personalidades que estão entre as mais importantes de toda história brasileira, os alagoanos Deodoro e Floriano. Hoje, celebramos Zumbi e toda a saga do Quilombo dos Palmares. Nascido em Alagoas, o quilombola Zumbi tornou-se um símbolo internacional da resistência à escravidão, e mais, virou ícone global da luta pela liberdade. Duas serras, a da Barriga e a Dois Irmãos, são os dois sítios históricos que resumem toda aquela epopéia de guerra contra a escravatura e de esforço inusitado para construir uma opção diferenciada e independente contra todo o modelo de colonização então praticado nas Américas. Um dos pontos deste sítio histórico (de importância internacional) está consagrado, a Serra da Barriga. Lá, hoje município de União dos Palmares, existiu a fulgurante capital rebelde do Quilombo dos Palmares, centro da insurgência à escravidão durante quase um século (do início do século XVII até fevereiro de 1694). O outro cenário desta epopéia precisa ser reconhecido e incorporado ao sítio histórico do Quilombo dos Palmares: a serra Dois Irmãos. Neste ponto, mais precisamente no ?sumidouro da Serra Dois Irmãos?, foi localizado e executado no dia 20 de novembro de 1695, o grande líder Zumbi (que havia sobrevivido ao massacre de 1694). A memória do Quilombo precisa ser entendida e valorizada em seus múltiplos sítios históricos. E de tal importância é este patrimônio que se constitui num tolo reducionismo deixar concentrarem-se num único dia e num único local todas as forças e eventos ligados a Palmares e Zumbi. Uma verdadeira miopia política que precisa ser corrigida o quanto antes.