Opinião
Novos rumos? - Editorial
Finalmente, o governo federal conseguiu dar um passo à frente, depois de longo tempo na defensiva, acossado por denúncias de todo o tipo. Ontem, o presidente da República sancionou, com vetos, a rotulada ?nova MP do Bem?. A sancionada Medida Provisória aponta para um alívio fiscal para exportadores, vendedores de imóveis, compradores de microcomputadores, municípios, produtores de leite, micro e pequenas empresas, e outras vítimas da ausência de políticas públicas desenvolvimentistas. Ainda é cedo para se prever, com exatidão, os resultados de tal iniciativa, mas é justo se alimentar esperanças de um melhor desempenho dos setores alcançados pelas novas normas legais ? exatamente porque a tremenda carga tributária é um dos maiores obstáculos ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentado. Aliviar esse peso descomunal e injusto é sim um gesto alvissareiro. Aliados do governo falam que, em seguida, será a vez da aprovação (finalmente!) da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Outra boa notícia. Se confirmada, poderá representar uma perspectiva de adoção de uma política econômica menos conservadora e interessada em alavancar opções de crescimento real. É cedo para se ter certeza de que tal mudança de política venha a acontecer com consistência, ou se estaríamos defronte de ações destinadas a animar a torcida com vistas ao pleito de 2006. A primeira opção é a que interessa ao futuro: mudança planejada, consciente e coerente. A segunda opção ? um ajuste de rumo superficial, apoiado em medidas isoladas ? pode ser um desastre, pois na macro-economia não se mexe impunemente. Resta-nos a esperança (mais uma vez) de que essas duas iniciativas ? uma confirmada, outra anunciada ? não sejam medidas eleitoreiras, isoladas, e sim que sejam elementos articulados de uma desejada mudança de rumos.