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A escola n�o nos preparou

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| Dom Fernando Iório * Coloca-nos, às vezes, a vida diante de situações que escola alguma nos preparou: se seu melhor amigo perdeu, tragicamente, a esposa como irá você portar-se diante dele? Por acaso, esteja seu colega de trabalho sofrendo com uma prolongada doença, como irá você consolá-lo? E o mais grave é que uma palavra deve ser dita, um gesto deve ser feito ou uma decisão tomada. Bem sabe você que, em momentos assim, a boa vontade não é suficiente. Não produz o efeito que desejávamos. Não nos faltam, também, recordações de decisões e gestos ou mesmo de palavras proferidas que, longe de se terem revelado carinhoso consolo, nos deixaram em situação constrangedora e delicada. Sirva-nos de lição os amigos de Jó, este era um homem íntegro e reto, temente a Deus. Além de rico, era famoso. Entretanto, surgiu doloroso momento em que Jó começou a ser importunado pelas mais diversas provações: doença, morte dos filhos, seqüestro de suas riquezas, empobrecimento, humilhação. Até sua esposa chegou a ridicularizá-lo, mostrando que Deus não lhe era fiel, em vista da honestidade e integridade em que vivia. De onopino, sem pessoa alguma da família esperar, três amigos o visitaram. Encontraram-no de tal maneira desfigurado que, a princípio, nem o reconheceram. Sentaram-se, a seu lado, durante sete dias e sete noites, sem proferir palavra alguma, sentindo a dor atroz do seu sofrimento (Jó 2.13). Há momentos em que o silêncio é mais eloqüente do que as palavras. Fixo-me nesse sábio gesto dos amigos de Jó que anteciparam a sábia máxima de Paulo: ?Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram? (Rom 12.15) e eu completo: ?sofrei, em silêncio, com os que sofrem?. Em numerosas ocasiões de sombra mais do que consolar com palavras, importa ser uma presença amiga ao lado de quem, mergulhado na sua dor, parece encontrar-se a quilômetros de distância de nós. Uma presença discreta e silenciosa, marcada pelo desejo de comunhão é, ao mesmo tempo, consolo e força, bálsamo e luz para quem está vivendo num mundo de tarde, esperando noite. O importante é que quem sofre sinta não estar só, porque os verdadeiros amigos estão ao seu lado. Quando você perceber que lhe faltam palavras para consolar o amigo marcado pela dor; quando a vida reservar provas duríssimas para quem lhe é querido, quando se encontrar diante de alguém perdido em meio a densa escuridão do sofrimento, não se preocupe em lhe falar. Evite repetir aquelas estruturas frásicas marcadas pela formalidade repetitiva. (*) É bispo de Palmeirados Índios.

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