Opinião
As b�n��os de Santiago
| Rubens Villar * Depois de uma jornada de 32 dias andando quase 800 km, desde a França e a Espanha, cheguei hoje ao meio-dia, a Santiago de Compostela, sob chuva intensa, uma vez que a região da Galicia foi varrida por chuvas torrenciais vindas da Ilha da Madeira, Portugal, onde ocorreu um furação, segundo os jornais espanhóis. Cheguei bem, com saúde, e feliz da vida por ter pago uma promessa e realizado um sonho. O caminho, apesar de difícil e duro, é fascinante. Assisti a uma belíssima cerimônia na Catedral ao lado de peregrinos de todo o mundo. Muitos me conheciam não pelo nome, mas por ?Brasil?, tanto divulguei o nome. Eles ao me verem gritaram ?Brasil... Brasil... Brasil...? e cantavam trechos da famosa Aquarela do Brasil, emocionados. Essa mensagem passei por e-mail ao meus filhos Rubens, André e Luiz Alberto Villar de Carvalho, no dia 12/10/2005, logo após a missa do peregrino, co-celebrada por vários padres e diginatários da igreja envolvidos pelo som e as vozes de um coral belíssimo e o incenso do famoso Bota-fumeiro que espalha as bênçãos por toda nave central da imponente e majestosa catedral. Iniciei minha jornada em Paris, onde comprei mochila, tênis, boné, cajado, calças e camisas tactel, levíssimas, pois é recomendável levar apenas 10% do seu peso para evitar tendinites, lesões nas articulações e panturrilhas. A bordo do TGV ? Trem de grande velocidade, após 4 horas de viagem, cheguei a Bordeaux. A tardinha, depois de degustar um belo tinto, dessa famosa região vinícola, segui em direção a Bayonne, no país Basco francês e finalmente a San-Jean-Pier-de-Port. Comecei a minha peregrinação subindo os Montes Pirineus, a segunda montanha mais alta da Europa, superada apenas pelos Alpes. Cheio de expectativas fui descobrindo as setas amarelas e o tradicional sinal branco e vermelho que sinalizam o primitivo e medieval caminho. De um lado, pastores conduzindo rebanhos de ovelhas. Do outro, vacas leiteiras pardo-suiças, holandesas, pastando, umas, ruminando lenta e pacientemente, outras. Pequenos córregos, riachos, flores, pássaros, sobre uma relva de um verde luxuriante. Nesse cenário lembrei-me de Marco Braga, que me deu preciosas dicas, entre elas que me preparasse pois a jornada seria dificílima. Horas depois cheguei ao primeiro albergue no Honto, e imaginei que ele estava brincando, tão fácil foi a primeira etapa da caminhada. (*) É ex-deputado, senador e governador de Roraima.