Opinião
A pa�ses do leste europeu
| Lysette Lyra * Percorremos pequena parte do Rio Reno num barco restaurante luxuoso. O tráfego é intenso. O Reno nasce na Suíça e vai desaguar na Holanda, em Roterdam. Começamos a adentrar a República Tcheca pela sua fronteira alemã. A região é muita acidentada. Montes pouco elevados, mas contínuos, são inteiramente cultivados. Vinhedos e colzo, (planta oleaginosa de variadas utilidades) são os mais comuns. As estradas ainda são antigas, feitas pelos russos em placas de concreto pré-fabricadas, emendadas, mais econômicas, mas como trepidam! Os invasores bolcheviques quando deixaram o poder saquearam os cofres tchecos e o novo governo tem lutado muito para conseguir reconstruir o país. A nação nunca foi bombardeada, por isso seus monumentos continuam preservados, porém foram totalmente abandonados. O comunismo tornou o povo tão infeliz, que a vida transformou-se numa verdadeira maldição. Ante essa existência sem liberdade, sem futuro, sem esperanças, muitos preferiam o suicídio. Na entrada de Praga, existe um belo viaduto sobre a cidade, altíssimo, que teve de ser protegido por grades para evitar que as pessoas daí se jogassem para a morte. Livre do domínio russo, a república permanece perturbada pela máfia formada por antigos chefes bolcheviques, e pela fase de adaptação do povo ao capitalismo e à livre iniciativa a que não estava acostumado. Praga é muito antiga, fundada pelos celtas no século III. É uma linda cidade. Cortada pelo Rio Moldavia, atravessado por artísticas pontes, serviu de inspiração a músicos e poetas. Seus velhos prédios são de rara beleza, mostrando um passado próspero e requintado. No bairro de Malá Strana, nasceu a cidade. Lá estão o belo Castelo de Praga e a Igreja de São Vito que datam do início de sua formação. O outro lado do rio abriga a parte menos antiga e a principal praça, a de Venceslau, em cujo fundo se vêem o majestoso edifício do Museu Nacional e a estátua de São Venceslau. Aí se agrupam as lojas mais elegantes onde se exibem lindas peças dos famosos cristais da Boêmia. O jogo é bastante explorado, haja vista a profusão de cassinos que se espalham pela capital. De Praga continuamos nossa viagem pelo leste europeu. A configuração geográfica continua a mesma, o solo sempre ondulado por colinas não muito altas, porém ao fundo já se desenham montanhas mais elevadas. Florestas de olmos, bétulas e castanheiros interrompem, vez por outra, os campos férteis conhecidos como Alföld. Muitos vinhedos. (*) É escritora.